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Manifestação junta centenas no «Sim à Vida»
20.02.2020
Centenas de pessoas manifestaram-se contra a eutanásia. «Sim à Vida! Não à morte!», «Não matarás!» foram algumas das palavras de ordem gritadas. Nos cartazes pode ler-se «Aos médicos compete: cuidar, tratar e amar: E não matar! Eutanásia não»; «A vida é tragédia, domina-a. A Vida é Vida, defende-a»; «Eutanásia a suicídio».



Isilda Pegado, presidente da Federação Portuguesa pela Vida, reconhece que o dia pode ter um desfecho diferente do que gostaria e que a eutanásia pode ser aprovada no Parlamento. Mas a advogada defende que este não é um ponto final. «Claro que é possível a inflexão deste processo. A soberania está no povo e não nos deputados. O povo está contra a legalização da eutanásia.» Isilda Pegado mostrou-se muito satisfeita por ver «milhares de pessoas» em favor da vida em frente à Assembleia da República. A advogada não quer pronunciar-se sobre o papel do Presidente da República. Mas mostra-se convicta: «Muitos constitucionalistas dizem que é inconstitucional. De qualquer forma [a lei] irá ter ao Tribunal Constitucional», afirma.
Entre os manifestantes estavam muitos deputados e antigos deputados do CDS. Francisco Rodrigues dos Santos, presidente do CDS, afirmou aos jornalistas, que aprovar a eutanásia «é uma decisão grave que muda o nosso paradigma civilizacional». O líder centrista diz que o seu partido quer um Estado que «cuida, ajuda, trata todos os que precisam. Se não há cuidados médicos para todos, como é que o Estado pode dar morte a pedido?».

No púlpito da manifestação, José Ribeiro e Castro, antigo deputado e líder do CDS, não poupou nas palavras, dizendo que a lei «e injusta e precipitada» «não é democrática». Instando os eurodeputados a fiscalizar o que acontece na Holanda e na Bélgica onde a eutanásia é legal, Ribeiro e Castro critica fortemente os partidos portugueses que apresentam projetos de lei: «Como podem apresentar e votar projetos destes. Não vieram buscar legitimidade ao povo e por isso o povo tem de ser convocado. O PS tem de apoiar a realização de um referendo para honrar a sua esteira de democracia.» Jorge Nuno de Sá, antigo deputado do PSD, esteve presente e disse que «esta é a causa da minha vida». O antigo líder da JSD lembrou a frase “vai morrer longe” e fez uma adaptação: «Com esta lei dizemos “vai morrer longe da nossa consciência.” É isto que está em casa!»
Na manifestação havia pessoas de várias idades, incluindo muitos jovens. Alguns voluntários recolhiam assinaturas para a iniciativa popular de referendo. Isilda Pegado explicou que as assinaturas seráo contadas no dia 4 de março e lembrou que até ao final do processo legislativo pode ainda ser debatida na Assembleia da República.
 
Texto: Cláudia Sebastião
Fotos: Ricardo Perna
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