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Mar da Palha será «cais de embarque» na fé para dois milhões de jovens
27.01.2019
Os principais responsáveis pela organização da Jornada Mundial da Juventude estiveram hoje na sala de imprensa da organização da Jornada Mundial da Juventude para prometer uma Jornada Mundial da Juventude que «superar tudo quanto se espera».

 
Visivelmente satisfeitos, D. Manuel Clemente, Cardeal-Patriarca de Lisboa, e Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, falaram de uma «aspiração» nacional. «Há muito que a Igreja portuguesa tem a experiência e presença nas Jornadas Mundiais da Juventude, além do gosto e aspiração que uma dessas Jornadas aconteça em Lisboa, por isso esta candidatura que apresentámos há um ano ao Papa Francisco. É uma aspiração das nossas 20 dioceses de Portugal», afirmou D. Manuel Clemente aos jornalistas.
 
O Cardeal Patriarca de Lisboa falou numa «confluência» das aspirações das dioceses e do próprio movimento juvenil, e defendeu que uma «movimentação juvenil deste tamanho será para sociedade portuguesa como um todo um motivo de beleza, aspiração, uma coisa bonita, que nos fará bem a todos, e foi por isso que as várias entidades municipais e do Estado acolheram com toda a vontade». Por isso, D. Manuel Clemente espera que Lisboa seja «cais de embarque, desembarque e retorno nessas jornadas de 2022».
 
A expetativa do prelado é que «milhão e meio a 2 milhões» de jovens se possam juntar no Mar da Palha, o local escolhido pela organização, uma «ótima escolha». «Por escolha da Câmara Municipal de Lisboa, o sítio mais que provável será a margem do Tejo. Nós chamamos o Mar da Palha, o perímetro do rio entre as duas margens será o mesmo que o Mar da Galileia, por isso tem significado bíblico. Tem vias de comunicação, não fica longe do aeroporto... melhor não podia ser, é uma ótima escolha», referiu.
 
Importante para a decisão, como já tinha sido adiantado por Marcelo Rebelo de Sousa na sua primeira reação, foi a ligação de Portugal aos países africanos, principalmente os de língua portuguesa. «Nem precisamos de sair de Lisboa, porque eles já lá estão em grande quantidade, e gostamos muito que assim seja», brincou o Cardeal Patriarca, que adiantou que na última reunião de bispos lusófonos já se tinha falado desta possibilidade. «Na próxima reunião o assunto estará de certo presente. Temos tanta população africana em Lisboa que nem precisaríamos, mas vamos incentivar a participação da lusofonia do mundo inteiro», garantiu.

 
«Nenhum outro evento tem esta dimensão»
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, estava muito satisfeito com a escolha de Lisboa para este evento. «Nenhum outro evento tem esta dimensão, e nenhum outro é capaz de marcar tanto e tão forte tantos milhões como as Jornadas mundiais da Juventude», afirmou aos jornalistas na sala de imprensa.
 
Fernando Medina elogiou o Papa Francisco, e explicou que recebeu «inúmeros» contactos da parte de várias pessoas a perguntar se era verdade o que se falava. «Gente que via nas jornadas um sentimento de identificação com os valores da dignidade humana. Esta é a segunda razão da nossa alegria, pois creio que as jornadas e a vinda do Papa transcendem a Igreja Católica e o domínio da fé. É indiscutível que o mundo vive um retrocesso e é indiscutível que o Papa é uma grande referência mundial» no que diz respeito a questões como a «dignidade humana», «direitos dos refugiados», «combate às alterações climáticas», «valores que unem muitos milhões em todo o mundo, não só crentes, mas muitos que, de outra religião ou nenhuma, se revêem nestas posições».
 
O autarca reforçou a questão da local escolhido para a realização dos momentos gerais da Jornada, afirmando que irão proceder à reabilitação do espaço, sem ainda explicar todas as intervenções que serão necessárias, mas afirmando que pretende que se mantenham para mais tarde. «Um processo de conversão para que a zona ali se mantenha, até como lembrança das Jornadas, por isso será um processo de requalificação de todo aquele espaço».
 
Também presente na conferência de imprensa, o Pe. Alexandre Awi Mello, secretário do Dicastério Leigos, Família e Vida, mostrou-se muito satisfeito pela escolha de Lisboa, até pelo passado evangelizador do nosso país. «A Jornada entra nos planos de Deus nessa linha de uma vocação evangelizadora universal da igreja portuguesa. Nós experimentámos isso no Brasil. No plano de Deus, Portugal foi feito para levar o Evangelho a muitas partes, por isso esta jornada terá vocação universal. Agradecemos por manterem essa bela tradição», disse.

 
Texto: Ricardo Perna
Foto: Jornada Mundial da Juventude e Youtube
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