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«Maria é matriz da Igreja para sempre»
12.10.2020
D. José Ornelas, bispo de Setúbal e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) presidiu ao Rosário e Procissão das Velas desta noite no Santuário de Fátima. Depois da recitação e de uma Procissão das Velas que passou pelo santuário que não encheu de peregrinos todos os espaços definidos para o efeito.


O presidente da CEP presidiu à Celebração da Palavra que encerrou as celebrações da noite. Na homilia da celebração, que substituiu a habitual eucaristia, evocou o nome e o exemplo de Maria, presente «naqueles e naquelas que estão a fazer esforços incríveis, em condições dramáticas, para socorrer as pessoas atingidas pela pandemia, nos hospitais, nos lares, nas casas onde se vive em solidão, nos campos de refugiados sem condições, na busca soluções para todos e não apenas para alguns». «Estas pessoas são expressão concreta da Mãe Maria, da Mãe Igreja, da Mãe humanidade e do carinho de Deus que nunca a abandona», referiu.

Maria é, então, «a mãe de Jesus, mas igualmente a Igreja nascente, que dá à luz uma nova geração de filhos e filhas e, de uma forma mais englobante, a humanidade inteira, no processo, tantas vezes dramático e penoso, de viver e de assegurar vida e futuro àqueles que gera».

O prelado denuncia as «muitas e poderosas atitudes manipuladoras e populistas, sem remorso de usar o sofrimento e o desconcerto social, para daí tirar dividendos políticos e económicos, criando mesmo conflitos e mobilizando o próprio poder para os seus objetivos conflituosos e estratégicos, que deixam sempre para trás os mais frágeis da humanidade». «Esse é o monstro de que nos fala o quadro do apocalipse», afirma, enquanto aponta a mensagem de «profunda esperança» que o quadro do Apocalipse trouxe na primeira leitura. «Deus não promete que a superação desta e de todas as outras crises seja indolor. Mas promete que estará presente para que seja possível passar pelas dificuldades e superá-las», afirmou.

É também em Maria que Jesus confia a sua «nova família, a Igreja, constituída pela fé de Israel (a mãe) e pelos discípulos que o seguem». Neste sentido, pretende que a Igreja «assuma a atitude de Maria»: «na fidelidade de Deus à sua aliança com Israel ao longo da história; na fidelidade ao homem sofredor, excluído e condenado; na misericórdia para a acolher a dor, mas na esperança para ajudar a encontrar caminhos de superação das crises e mesmo da morte; na fidelidade a este Homem Novo, que morre na cruz, assumindo todas as nossas crises e a nossa morte, para abrir um caminho para a plenitude da vida», afirmou aos peregrinos presentes no santuário nesta noite fria de outubro.


Assumir a postura de Maria de «misericórdia, de proximidade e de esperança para com os que são atingidos por esta e por todas as pandemias» permitirá que saiamos «desta crise com mais vida e possibilidade de enfrentar os desafios que o futuro nos apresenta». «Não permitamos que os mais débeis fiquem esquecidos nas suas dificuldades. Cresçamos na solidariedade, na criatividade, na busca de caminhos novos para um mundo novo, com os muitos problemas e oportunidades que temos diante», exortou D. José Ornelas.

No final da celebração da Palavra, a Imagem de Nossa senhora regressou à Capelinha das Aparições. Amanhã, pelas 09h30h, sairá de novo para a celebração da eucaristia e Procissão do Adeus que marcarão o final deste ano de peregrinações no Santuário de Fátima.
 
Texto: Ricardo Perna
Foto: Santuário de Fátima

 
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