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Monsenhor Fernando Ocàriz: «Quais poderosos? Nós ajudamos os últimos»
18.12.2018
Nos 90 anos da fundação do Opus Dei, monsenhor Fernando Ocàriz fala sobre a Obra. Prelado desde 2017, nasceu em Paris, em 1944, filho de pais espanhóis exilados em França durante a Guerra civil. Docente de Teologia Fundamental na Pontifícia Universidade de Santa Cruz e consultor da Congregação para a Doutrina da Fé, é também um ótimo tenista que gosta de jogar quase todos os dias. Talvez por isso rejeite com força certas malfadadas contradições, daquelas que tendem a identificar a Obra com a Banca e com poderosos políticos.
 


É o quarto prelado do Opus Dei. Ainda é forte a “presença” do vosso fundador na Obra?
Certamente, e não poderia ser de outra maneira. São Josemaría Escrivá está sempre no meio de nós. Nunca nos abandona. Poderíamos falar de uma presença viva, palpável, familiar. Vejo muitas pessoas do Opus Dei à procura de conselhos nos escritos do fundador, pedindo-lhe ajuda nos momentos de dificuldade e recorrem à sua intercessão sempre que precisam. Isto é algo enraizado na vida interior quotidiana de muitíssimas pessoas, até mesmo de devotos de São Josemaría que nem sequer conhecem o Opus Dei. Aqui, na sede central do Opus Dei em Roma, em Santa Maria della Pace, na igreja prelatícia, encontram-se os seus despojos mortais e milhares de pessoas de todas as partes do mundo vêm exprimir no silêncio da oração a sua gratidão ou as próprias inquietações.
 
Pode, pois, dizer-se que 45 anos depois da sua morte, acontecida em Roma em 26 de junho de 1975, São Josemaría Escrivá “guia” ainda a Obra, até neste turbulento início do terceiro milénio?
Penso que todos nós procuramos manter o espírito que nos deixou, e que ele por sua vez recebera do Senhor, o qual consiste em procurar a Deus no meio dos trabalhos quotidianos feitos na vida familiar, no emprego, na oração, na amizade, no serviço, no repouso... O desafio é procurar torná-lo cada vez mais atual, na diversidade dos tempos e lugares.
 
Pessoalmente o que faz para aproximar mais o Opus Dei da gente comum e para eliminar os preconceitos residuais que, sem ou com razão, atribuem à Obra estar mais “atenta” aos poderosos?
A lenda negra que nos vê como amigos dos capitalistas é uma falsidade do passado. É uma onda de lendas negras do passado, falsidades que o tempo desmentiu.
Mais quais poderosos? Nós ajudamos os últimos… Realizamos obras académicas didáticas para a formação dos jovens, em toda a parte do mundo, especialmente os mais pobres. Damos vida a hospitais, a centros de acolhimento e de reabilitação com as técnicas mais avançadas ao serviço do homem doente, sofredor e necessitado de cuidados. Mas, ao mesmo tempo, levamos a Palavra de Deus a todos, próximos e afastados, aos homens e às mulheres, a ricos e a pobres. Sem medo de evangelizar até empresários, políticos, banqueiros, com espírito de serviço evangélico, seguindo os passos do nosso fundador, São Josemaría Escrivá.
O Opus Dei vive atento às necessidades espirituais de todos. Uma certa lenda negra são águas passadas. Quero dizer: em Itália, em Roma, uma das iniciativas promovidas desde finais da década de 1970 por nós, no Centro Elis, foi uma ocasião de formação profissional e de resgate social a migrantes menores não acompanhados, a jovens do sul de Itália e do mundo e a outros que nunca teriam outra possibilidade. Além disso, com as suas atividades propõe o profissionalismo como serviço ao bem comum e ajuda ao próximo. E, baseado em estatísticas, os jovens que se formam no Centro Elis têm sempre emprego garantido. Esta é a nossa vida.

 
 
Em Roma, existe também o campus biomédico, que em poucos anos se tornou na mais famosa Faculdade de Medicina, tendo em anexo um hospital e centros de reabilitação. Pode comparar-se com a Universidade de Pamplona, em Espanha, com todas as valências académicas.
Sim, é verdade. Mas também em muitas outras partes do mundo as pessoas do Opus Dei, com muitos outros amigos, promovem muitíssimas iniciativas do género, expressamente até em favor dos agricultores, dos migrantes e de quem tudo perdeu, para responder às exigências do seu bairro ou da sua cidade. Estou a lembrar-me de duas iniciativas no bairro Raval de Barcelona, com 20 mil imigrantes: os Centros Braval e Terral, com mais de 300 voluntários envolvidos em programas de instrução, desporto ou formação profissional. Em Colónia, na Alemanha, pude encontrar os voluntários e os sacerdotes da paróquia de São Pantaleão que se ocupam de um prédio construído graças à colaboração com a diocese e o município para hospedar 30 famílias de refugiados que fogem do conflito sírio. Graças a Deus nasceram instituições deste tipo por todo o lado. Se perguntarmos pelo Opus Dei em Kinshasa, [República Democrática do Congo], no terceiro país mais pobre do mundo, muitos podem explicar como foram acolhidos no Hospital Monkole, construído pelos fiéis da Prelatura com outros amigos.
 
Tudo isto num plano didático, de trabalho e de medicina. Mas, a nível espiritual, o que é que a Obra faz?
Também o cuidado do espírito para o Opus Dei é de primária importância. Juntamente com a constante atenção ao acolhimento dos necessitados e migrantes em hospitais e centros de cuidados especializados, à formação académica e laboral, ao mesmo tempo não deve ser esquecida a importância de levar o Evangelho a todos, e não apenas a uma parte da população. A Obra leva a Palavra a todos, pobres e ricos. E, neste sentido, a evangelização dos empresários, dos políticos, dos jornalistas e de outras pessoas com recursos económicos é de grande importância para que a Doutrina Social da Igreja possa ser operativa. Como ensina, realmente, São Josemaría Escrivá.
 
Texto: Horácio La Rocca
Tradução: Mário José dos Santos
Fotos: Gabinete de Informação do Opus Dei
Entrevista publicada na FAMÍLIA CRISTÃ de dezembro de 2018.
 
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