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Na abertura do Sínodo, Papa diz que Igreja precisa de um «processo de cura»
10.10.2021
Decorreu hoje, na Basílica de S. Pedro, a missa inaugural do processo sinodal que decorre até 2023. Na homilia, o Papa não esteve com meias palavras, e avisou que a Igreja precisa de um «processo de cura».


Perante centenas de pessoas reunidas na Basílica de São Pedro, Francisco sublinhou que o Sínodo deve conservar a sua dimensão espiritual, «para que não seja uma convenção eclesial, um congresso de estudos ou um congresso político, mas um evento de graça, um processo de cura conduzido pelo Espírito Santo».

Simbolicamente, a procissão de entrada contou com a presença de um grupo de 25 pessoas «representando todo o povo de Deus e os diferentes continentes», informa a Santa Sé.

O Papa defendeu que, tal como Jesus Cristo, a Igreja deve seguir pelas «estradas por vezes acidentadas da vida», ao encontro dos outros. «Ao abrir este percurso sinodal, comecemos todos (Papa, bispos, sacerdotes, religiosas e religiosos, irmãs e irmãos leigos) por nos interrogar: nós, comunidade cristã, encarnamos o estilo de Deus, que caminha na história e partilha as vicissitudes da humanidade?», declarou.

Francisco precisou que o Sínodo implica «caminhar pela mesma estrada, em conjunto». «Permitimos que as pessoas se expressem, caminhem na fé - mesmo se têm percursos de vida difíceis -, contribuam para a vida da comunidade sem serem estorvadas, rejeitadas ou julgadas?», questionou.


A reflexão apontou três verbos centrais para este processo de consulta às comunidades católicas: «encontrar, escutar, discernir».

O Papa convidou os católicos a «dar espaço à oração, à adoração, àquilo que o Espírito quer dizer à Igreja», deixando-se «tocar pelas perguntas das irmãs e dos irmãos». «Jesus chama-nos a esvaziar-nos, a libertar-nos daquilo que é mundano e também dos nossos fechamentos e dos nossos modelos pastorais repetitivos, a interrogar-nos sobre aquilo que Deus nos quer dizer neste tempo e sobre a direção para onde Ele nos quer conduzir», prosseguiu.

Francisco admitiu que aprender a escuta recíproca, entre bispos, padres, religiosos e leigos é «um exercício lento, talvez cansativo», mas sublinhou que é necessário evitar «respostas artificiais e superficiais». «Fazer Sínodo é colocar-se no mesmo caminho do Verbo feito homem: é seguir as suas pisadas, escutando a sua Palavra juntamente com as palavras dos outros», apontou.

No final da eucaristia, Francisco rezou a oração pelo Sínodo, habitual no início de cada processo sinodal, e própria de cada um:

Senhor, Te damos graças e te bendizemos: de muitas voltas e em diferentes formas falaste aos nossos pais por meio dos profetas, e na plenitude do Tempo falate através do Teu Filho para manifestar a todos os homens a riqueza da Tua Graça; na Tua imensa bondade, olha para os teus filhos convocados para o início deste caminho sinodal: com a Luz do Teu Espírito Santo, ajuda-nos a reconhecer os sinais da Tua Vontade, para que, aderindo totalmente à tua bondade, possamos produzir frutos abundantes em obras.




A reportagem sobre a abertura do Sínodo dos Bispos em Roma é fruto de uma parceria estabelecida entre a Família Cristã, a Agência Ecclesia, o Diário do Minho e a Associação de Imprensa Cristã.
 
Texto: Ricardo Perna (com Octávio Carmo)
Fotos: Ricardo Perna
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