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Não estar, mas ser alegre
28.06.2021
A alegria é uma das emoções básicas que todos conhecemos e já experimentámos. É considerada um impulso agradável que gera uma reação automática, quer seja por um motivo feliz, encontrar um amigo, por exemplo, ou superficial como receber um presente. Também às vezes aparece sem ter uma explicação determinada. Dentro desta perspetiva, Santo Agostinho considerava a alegria como uma condição na qual a alma se encontra "cheia".

Em qualquer caso, a alegria caracteriza-se por três traços: surge do interior, ilumina a pessoa e é simples. Geralmente, manifesta-se por sinais que se estendem por todo o corpo em posturas e atitudes e nas próprias expressões faciais: o elevar das pálpebras, o semicerrar dos olhos e o abrir dos lábios para esboçar um sorriso que pode mesmo vir a culminar numa gargalhada sonora.

Se olharmos para a vida, compreendemos que se pode aprender a ser alegre. Primeiro através das experiências vividas e depois de forma indireta estimulando as respostas afetivas que surgem espontaneamente no coração. A sensação do dever cumprido, sempre que se faz algo de bom, com sacrifício ou não, e com desprendimento da nossa pessoa e dos nossos bens materiais, transborda-nos de uma paz interior. A essa paz denominamos de alegria. A felicidade, a satisfação, o otimismo, a tranquilidade, a calma, o bom humor e a euforia permitem expressar diferentes graus e perceções desse estado alegre.

Durante a etapa da infância, as crianças descobrem esta emoção através dos sentidos, novos cheiros, ruídos, sabores e, muito concretamente, através dos mimos e carícias da mãe. Trata-se, pois, de uma alegria mais sensível, instintiva e corporal. Mas, gradualmente, o ser humano evolui para uma alegria mais interior assente em realizações, metas alcançadas, felicidade partilhada com os familiares. Mas, ao mesmo tempo, dando-lhe a tal paz à medida que vai crescendo e amadurecendo.

Em boa medida, os nossos jovens adultos que querem realmente viver com alegria, precisam de começar por ter uma atitude alegre. Não ‘estarem’, mas ‘serem’ alegres. As pessoas alegres não negam as suas limitações nem tapam os olhos diante das dificuldades da vida; aceitam-nas, enfrentam-nas, sofrem-nas, mas nunca se traem a si mesmas: têm esperança, uma esperança que é tranquila.

Este posicionamento é consequência de uma certa plenitude de vida. Neste patamar, alcançaram já uma harmonia e compreensão de si mesmos, os juízos sobre si próprios e sobre os outros são mais benevolentes, recordam-se com mais facilidade dos acontecimentos bons, pensam de forma mais flexível, tendem a ser mais criativos e imaginativos, têm menos dúvidas e levam menos tempo para tomar decisões.

Todos nós, pequenos e grandes, queremos nos sentir alegres ao longo da vida porque é algo que nos traz uma grande sensação de satisfação e bem-estar. Sabe-se que a alegria está relacionada com a felicidade, é como um trampolim que nos leva até ela. Embora se diga que a alegria é contagiosa, tem muito a ver com os hábitos e a maneira de pensar de cada pessoa. Independentemente da nossa situação, como disse o neurologista Viktor Frankl, cabe a cada um de nós "escolher a nossa atitude pessoal face a um conjunto de circunstâncias".

Deixo-vos o meu conselho: que se escolha, sempre, ter uma atitude alegre.