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«Nasci de novo» com transplante de medula
21.12.2020


Carla Vitorino tem 48 anos e três filhas, de 20, 17 e 12 anos. Foi surpreendida por um cancro que não cedia com os tratamentos. Até então Carla conta que «ia à missa, cumprindo o ritual simplesmente. Eu ia, mas não estava lá, pensava no almoço, o que ia fazer durante a tarde. Muitas vezes, eu até era obrigada a ir à missa por causa da minha filha mais velha. Ela levantava-se todas as manhãs para ir à missa. “Então ela levanta-se para ir à missa e eu fico aqui, isto é uma vergonha”. E muitas vezes fui arrastada por ela», conta a rir. Assim, quando surgiu a doença, nem pensou em pedir ajuda a Deus. «A Carla está cá. Deus estava lá, mas Deus tem mais que fazer, não é? Eu vou resolver isto. Não preciso de Deus para nada, não é? Os coitadinhos é que precisam de recorrer a Deus, que não têm autoconfiança, não têm autoestima… “Não, não preciso de Ti para nada, porque vou resolver isto”», conta, emocionada e a brincar.
Mas a doença trouxe consigo uma mudança na relação com Deus, através de um retiro. «À medida que as pessoas iam falando, eu não queria dar a parte de que realmente eu estava ali a sentir algo, precisava ficar sozinha, aproveitar o momento. Entrou o Santíssimo e eu literalmente caí por terra, bati com joelhos no chão, estendi os meus braços para a frente e chorei, chorei tanto como eu nunca tinha chorado… Mas senti-me tão bem! Eu não precisava de dizer nada. Ele sabia o que é que eu precisava. Senti uma paz inacreditável. Pensei “Tu existes, Tu estás aqui! Não te vás embora! Fica comigo!”»
Entrevista e edição de áudio: Cláudia Sebastião
Fotos: Ricardo Perna