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Novo Arcebispo de Braga quer «Igreja de portas escancaradas para todos»
13.02.2022
D. José Cordeiro celebrou hoje a sua primeira eucaristia como arcebispo de Braga e desejou uma «Igreja de portas escancaradas para todos». Numa Sé de Braga repleta de sacerdotes, autoridades civis e leigos, dentro das normas de segurança impostas pela pandemia, a quase totalidade dos bispos portugueses e da diocese de Santiago, em Espanha, acompanharam a procissão de entrada de D. José Cordeiro, perante o olhar atento do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que fez questão de estar presente na cerimónia.

 
No início da celebração, o deão do Cabido da Sé, o cón. José Paulo Abreu, acolheu o novo arcebispo, convidando-o a «semear o reino em canteiros de generosidade, misericórdia, paz e muito amor», expressando o desejo de «caminharmos todos com o D Jorge Ortiga, D. Nuno Almeida e com o Sr D. José Cordeiro». «Estamos cá, com boa vontade, coração disponível, com Deus e consigo», afirmou.
 
D. Ivo Scapolo, núncio apostólico da Santa Sé em Portugal, falou em seguida, elogiando a figura de D. Jorge Ortiga, que agora dá lugar ao novo arcebispo, recordando que o próprio era secretário da nunciatura em Portugal quando D. Jorge foi chamado à nunciatura para lhe ser comunicada a decisão do Papa. «Hoje, como Núncio Apostólico, tenho a honra de ser testemunha da conclusão do seu intenso, rico e generoso serviço na condução desta histórica Sé primacial de Braga. Portanto, dirijo-lhe, em nome do Papa Francisco, um especial agradecimento pela sua longa e intensa missão pastoral», disse.
 
Sobre D. José Cordeiro, exprimiu um «especial agradecimento» por ter aceite «com disponibilidade e generosidade a nomeação de Pastor desta antiga e grande Arquidiocese, sabendo os múltiplos e importantes desafios que deverá enfrentar».
 
Falando sobre o papel que D. José Cordeiro também assume como metropolita da Província Eclesiástica de Braga, pedindo que seja «um eficaz instrumento de comunhão afetiva e efetiva entre os Bispos das oito Dioceses sufragâneas, bem como com as Dioceses espanholas da Província Eclesiástica de Santiago de Compostela, aqui dignamente representadas pelos seus Bispos».
 
Mais ainda, referiu que D. José Cordeiro irá receber o pálio no Vaticano, numa celebração privada a 29 de junho, na solenidade dos apóstolos Pedro e Paulo, pálio que lhe será imposto de forma pública pelo núncio numa celebração a dia 10 de julho.

 
D. José defende que «só se evangeliza com o Evangelho»
A homilia de D. José dirigiu-se antes de mais ao povo de Deus, aos «irmãos e irmãs», e só depois e dirigiu aos presbíteros, voltando aos leigos, e só no final se dirigiu às autoridades presentes, civis e eclesiásticas, num gesto pouco habitual neste tipo de discursos, mesmo tratando-se de homilias.
 
Ao povo, explicou que «só se evangeliza com o Evangelho» e que «a pobreza é, ao mesmo tempo, fé, liberdade e leveza nos discípulos missionários». «Só quem assume ser carente e pobre pode ser amigo dos pobres, reclusos, doentes, peregrinos, migrantes, refugiados, vulneráveis, indigentes e marginalizados nas periferias existenciais, sociais e geográficas», advertiu.
 
À Igreja bracarense, disse que «estamos convocados para a missão do essencial ao serviço de todo o povo de Deus a nós confiado». Para tal, e como primeiro gesto enquanto arcebispo, anunciou que, inspirado por Frei Bartolomeu dos Mártires, «logo que possível, e em sinodalidade com os organismos de comunhão, iniciarei o roteiro da grande peregrinação por toda a nossa amada Arquidiocese nas suas 552 paróquias (551+1 em Moçambique), 14 arciprestados e serviços de proximidade».
 
Aos presbíteros, D. José falou de «coração aberto». «Eu não sou pensável sem vós; sois os primeiros e indispensáveis colaboradores. Desejo ser vosso irmão e vosso amigo. Peço-vos – sim, de coração aberto: ajudai-me a ser pai e pastor!»

 
Voltando a dirigir-se à totalidade da arquidiocese, avisou que a «igreja sinodal não pode ser um slogan, um evento ou um “fazer por fazer”». «É o estilo essencial do Evangelho da Esperança, que é o primado da graça na urgência de testemunhar a santidade, o rosto mais belo da Igreja», sustentou.
 
A homilia ficou também marcada pelo seu sentido de liturgista. Segundo o novo arcebispo de Braga, «a eucaristia é a alegria e a esperança da nossa peregrinação», e por isso «não nos podemos limitar a celebrar a eucaristia nem só a acreditar e adorar a eucaristia, mas a ser eucaristia viva, a partir do Domingo».
 
Sobre o principal dever que lhe é pedido enquanto bispo, D. José Cordeiro não tem dúvidas em afirmar que «é o serviço da oração e da evangelização: devo rezar por todo o povo a mim confiado e irradiar, o mais possível, através da palavra e das obras, o amor gratuito de Jesus Cristo, o Pastor por excelência».
 
Apenas no final da homilia se dirigiu ao núncio, aos bispos e restantes convidados, para agradecer o múnus episcopal de todos os seus antecessores, e agradecer a presença de todos na celebração.

Em virtude da pandemia, não houve a habitual saudação do povo ao novo arcebispo.

 
Texto: Ricardo Perna
Fotos: Agência Ecclesia
 
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