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O acolhimento de refugiados ucranianos
08.06.2022 13:23:00
O JRS Portugal é uma ONG fundada em 1980, presente em Portugal desde 1992, que tem a missão de «Acompanhar, Servir e Defender» refugiados, deslocados à força e todos os migrantes em situação de particular vulnerabilidade.
Uma guerra traz sempre consequências trágicas, sobretudo para aqueles que se encontram em situações mais vulneráveis. No JRS, tal como a nossa missão dita, não podíamos ficar parados e rapidamente criámos uma task force para fazer face ao grande número de refugiados que Portugal acolheu (e continua a acolher), acompanhando-os da forma mais humana e completa possível.     

Uma das primeiras coisas que pusemos em prática foram as doações: em Lisboa temos um armazém com bens de primeira necessidade. O objetivo foi criar um espaço que devolvesse o mínimo de dignidade aqueles que, na sua maioria, vieram sem nada.

Ao mesmo tempo, fomos apoiando as chamadas “Caravanas Humanitárias” que foram buscar refugiados às fronteiras com a Ucrânia, tentando que operassem do modo mais seguro possível e garantido o acolhimento de emergência, desde a chegada. Nos primeiros tempos era muito comum ouvirmos histórias de grupos que tinham sido resgatados nas fronteiras e que em Portugal foram quase que deixados ao abandono – a integração é uma maratona, os problemas não desaparecem após a chegada ao país de acolhimento.

O maior desafio da integração tem sido a habitação. Até agora, a única resposta habitacional pública foi a “simplificação” do programa “Porta de Entrada”. Na prática, as regras não são claras: não sabemos que Municípios são parceiros; as respostas são demasiado lentas e, nalguns Municípios, insuficientes.

Mais uma vez, a integração tem dependido da solidariedade da Sociedade Civil. A maioria das pessoas que acompanhamos está a viver em casa de conhecidos em Portugal; de famílias acolhedoras; ou a arrendar utilizando poupanças. Há uma dependência das famílias acolhedoras que, apesar de terem surgido rapidamente para colmatar esta necessidade, não passam de uma resposta a curto prazo. Temos recebido muitos pedidos de ajuda, seja de famílias portuguesas que já não conseguem suportar os encargos financeiros extra associados a acolher alguém, seja de refugiados que foram obrigados a sair do local que consideravam seguro e certo, até se autonomizarem.
Não existe, no caso desta crise, programa de acolhimento nem uma bolsa monetária inicial. As prestações sociais disponíveis não garantem a autonomia.

Para podermos continuar a apoiar estas pessoas, estamos a criar novos projetos no Porto e em Lisboa. Para tal, precisamos de angariar fundos. Qualquer pessoa ou empresa pode fazer um donativo financeiro através do IBAN PT50 0035 0413 00042764930 71 ou do MbWay: +351 934 322 579. Pode também doar, de forma completamente gratuita, 0.5% do seu IRS, precisando apenas de colocar o nosso NIF 504776150 no quadro da consignação a Instituições Particulares de Solidariedade Social.
Para além dos donativos financeiros, as pessoas podem disponibilizar-se para fazer voluntariado e ainda doar bens essenciais (bens alimentares e de higiene são sempre necessários). O tecido empresarial é também essencial: a disponibilidade para contratação de refugiados, disponibilização de voluntários, bens e serviços por parte das empresas são fulcrais para a integração.    

Ouvimos muitas vezes que Portugal tem o dom da hospitalidade – como tal, faz parte da responsabilidade de todos nós garantir estabilidade, dignidade e segurança às pessoas e famílias que aqui procuram refúgio.