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O carisma paulista em Portugal
26.11.2018
Os Paulistas, congregação religiosa e proprietários da PAULUS Editora, e por conseguinte da FAMÍLIA CRISTÃ, estão a celebrar 75 anos de presença em Portugal.

Desde o início tudo tem sido «graça sobre graça». O primeiro sacerdote paulista a trazer para cá o carisma paulista foi um italiano, o Pe. Xavier Boano, que nos deixou um relato de como tudo aconteceu: «No mês de outubro de 1942, o Pe. Alberione mandou-me vir de Catânia a Roma, e encarregou-me de abrir uma nova Casa em Portugal. Hoje, porventura, um encargo desse género poderia assumir uma certa solenidade; nessa altura, com aquele homem, ser convidado a partir para esta ou aquela nação, para este ou aquele continente, era um acontecimento normal. Era tanta a confiança que tínhamos nas suas ordens e nos seus conselhos que ficávamos com a sensação de termos o sucesso garantido...
Estávamos em tempo de guerra (a Segunda Guerra Mundial, de 1939-1945), uma guerra que para nós, italianos, ia de mal a pior. Conseguir passaporte para o estrangeiro, à primeira vista, parecia impossível. Mas ele não teve a menor hesitação, e ordenou-me que começasse a tratar dos papéis... No mês de junho de 1943 tinha nas minhas mãos o passaporte. Às três da manhã do dia 25 de junho já eu estava na capela da casa de Roma. O Pe. Alberione ajoelhou-se junto a mim, e ajudou-me à Missa com grande recolhimento, como se fosse uma criança da Primeira Comunhão. Deu-me a sua bênção, entregou-me um santinho da Rainha dos Apóstolos e um pedaço de chocolate para o pequeno-almoço: naqueles tempos de grandes privações alimentares, era um presente digno de registo! O Pe. Alberione pagara-me também o bilhete de avião para Barcelona: custava duas mil liras.
Às seis da manhã tomei um hidroavião para a capital catalã, onde cheguei às 09h30. Apanhei o primeiro comboio disponível para Bilbau, onde desembarquei no dia seguinte, acolhido fraternalmente pelo superior e pela comunidade paulista daquela cidade espanhola. Ali fiquei quatro meses, com o fim de obter o visto para Portugal. Passei depois por Madrid, onde tudo ficou resolvido. Finalmente, no dia 18 de outubro de 1943, chegava a Lisboa.
Fui hospedar-me nos Salesianos, e quinze dias depois o cardeal-patriarca Dom Manuel Cerejeira, ao qual me apresentara logo que cheguei, deu-me o encargo de capelão de uma comunidade das Irmãs Escravas da Santíssima Eucaristia e da Mãe de Deus, situada na Penha de França, em Lisboa. Quando eu lhes confiei que provavelmente iria ficar em Portugal só por alguns dias, elas disseram-me: “Nós vamos conseguir que fique cá para sempre.”
No dia 13 de novembro, depois de uma viagem atribulada, pude ir a Fátima em peregrinação. Muito comovido, rezei Missa na Capelinha das Aparições, ajudado pelo célebre coxo miraculado de quem se fala no relato das primeiras aparições de Fátima. Consegui falar com os pais de Francisco e Jacinta, mas especialmente rezei com fé a Nossa Senhora pedindo que, se fosse da vontade de Deus, eu pudesse fundar uma casa paulista em Portugal.
Ao regressar a Lisboa, tive a grata surpresa de saber que a Interpol, certamente por intermédio das ditas Irmãs e de algumas pessoas influentes (entre elas Dona Helena Varela Cid, viúva de um ex-embaixador em Espanha, e que era tida em grande consideração pelas autoridades civis e eclesiásticas e grande benfeitora do seu mosteiro), me tinha concedido licença de residência por tempo indeterminado. Tinha somente de mandar visar o passaporte todos os meses e pagar dez escudos. Foi uma graça verdadeiramente extraordinária, porque em tempo de guerra a nenhum estrangeiro era dada tal licença. Quando me apresentei ao senhor cardeal-patriarca com o visto de residência na mão, ele ficou muito admirado e disse-me: “Como conseguiu? Olhe que nem um bispo pode permanecer aqui mais de 30 dias!” Fiquei durante três anos (1943-1946) sozinho, como capelão das ditas Irmãs, e como vice-pároco numa paróquia de quarenta mil habitantes (a paróquia de Penha de França, em Lisboa)...
Exercendo o meu ministério sacerdotal em contacto direto com o povo, não me foi difícil compreender a importância e a urgência da instrução religiosa por meio da imprensa. Comecei por mandar imprimir alguns livros; depois procurei uma casa para alugar, o que consegui no Paço do Lumiar, em Lisboa, para três sacerdotes, que entretanto haviam chegado de Itália, e para os primeiros seminaristas.»

A partir de então, um rol de iniciativas apostólicas fez nascer as edições paulistas (agora PAULUS Editora), com a publicação de livros, discos, cassetes, CD e DVD, revistas, a rede de sete livrarias, a presença na internet e nas redes sociais, a produção de rádio e a presença na televisão.

Ao longo destes 75 anos são vários os testemunhos de Paulistas que viveram e deram a conhecer ao mundo Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida, dedicados ao apostolado, semeando na comunicação e com a comunicação as graças de Deus para a Humanidade.

«O mundo necessita de uma nova, grande e profunda evangelização. A obra é imensa. São necessários meios proporcionais e almas cheias de fé. O meio mais adaptado é a imprensa e os apóstolos ardentes no-los pode dar a juventude», escrevia o fundador aos cooperadores paulistas (La primavera paolina, p. 680). Nestas palavras, vemos a origem do nosso carisma: desejo de evangelizar quem está longe da fé, utilização dos meios mais adequados, ideal de vida para os jovens que se podem tornar apóstolos ardentes como São Paulo. E vemos também o futuro da nossa ação apostólica: servir a Igreja e o Evangelho na cultura da comunicação, especialmente no ambiente digital.

A estratégia de evangelização dos paulistas passa por não ficar à espera que as pessoas se aproximem da Igreja, mas de levar a Igreja até às pessoas através da comunicação. Aqui reside a originalidade do nosso carisma, todos os meios são utilizados não como material de apoio ou substitutos da pregação mas como verdadeira pregação, complementar à pregação oral. E esta leva-nos a traduzir nas linguagens e formas de comunicação a integralidade da nossa fé e as dimensões da existência humana interpretadas pelos valores evangélicos.