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O impacto da doença na família
11.02.2020
A doença e a morte são experiências universais que colocam as famílias de frente com um dos maiores desafios da vida.
O aparecimento de uma doença aguda, crónica ou até mesmo terminal em algum dos membros da família pode representar um problema grave a nível da sua funcionalidade. A doença cria um verdadeiro terramoto na família. Rompe com os alicerces e a ordem habitual altera-se. Pode até ser considerada como uma crise, dado o impacto que provoca em cada um dos seus elementos. Normalmente, é nestas alturas que vêm ao de cima as contradições, as diferenças de cada um, as dificuldades de comunicação. É fácil que surjam tensões que antes pareciam calmas e adormecidas, mas que agora explodem de forma ensurdecedora. São, pois, consideradas etapas de ambiguidade entre o que se espera, o que cada um pode dar e as expectativas reais.

 Estas mudanças que ocorrem não seguem nenhum padrão específico, estão sim condicionadas às características próprias de cada família, à fase do ciclo de vida em que se encontram, ao tempo de vida do paciente, ao grau de força e resiliência da família, ao nível socioeconómico, à história familiar e aos valores e costumes de cada família.

Dependendo de todo este processo dinâmico, é gerada uma série de respostas adaptativas no seio da família que podem ser funcionais ou disfuncionais. O paciente doente passa a ser o centro, para onde tudo conflui e pode ser o elo que une ou separa a família. Podemos dizer que toda a família é profundamente afetada; o ritmo de vida é alterado – alguns escolhem sacrificar parte da sua vida social e profissional para acompanhar o parente doente; já outros abandonam-no e carregam-no como um fardo e veem a doença como invasiva e intrusiva.

Para que tal não aconteça, todos os membros têm de se adaptar à nova situação e devem enfrentá-la de forma inteligente. Se estes mecanismos forem utilizados corretamente, o equilíbrio familiar pode ser mantido e cada situação pode oferecer uma oportunidade de crescimento, por mais difícil que possa parecer.

Vejamos então como. O período de crise começa quando os primeiros sintomas aparecem ou quando o diagnóstico é feito e o período de ajustamento se inicia. Nesta fase, a família e o paciente têm de aprender uma série de tarefas, incluindo não só aprender a viver com a doença, mas também aprender a lidar com os hospitais e os procedimentos de tratamento. A família entra assim na fase de compreensão da doença, tenta adaptar-se às novas mudanças e, ao mesmo tempo, mantém um sentido de continuidade entre o passado e o futuro, reorganizando-se e, perante a incerteza, desenvolve um sistema de flexibilidade e adaptabilidade.

Trata-se, pois, de uma atitude de aceitação perante o aparecimento da doença que tem origem no amor e não na necessidade. Precisamente por causa da fortaleza desse amor que une a família, todos estão dispostos a fazer estes e outros sacrifícios. Na experiência da doença também o recurso à fé pode, muitas, vezes, ajudar. Nem sempre e nem de forma automática. Tão-pouco é dado como certo que o sofrimento acenda e aumente a fé em Deus. Porém, a esperança é um ingrediente essencial para a recuperação da saúde, quando esta é possível.

Em modo de conclusão, podemos dizer que a família é o pilar mais importante na vida de qualquer pessoa, é o núcleo em que a doença se desenvolve e se resolve, onde se constroem soluções de forma partilhada, envolvendo apoio mútuo e compromisso com objetivos coletivos. Porém, a medalha de ouro é conseguida quando, face às exigências da doença, os membros da família não sacrificam o seu desenvolvimento pessoal e saem ainda mais reforçados.