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O melhor soldado és tu
25.04.2016
A vida pediu-te que fosses forte, muito forte. E tu percebeste que não tinhas alternativa a não ser corresponder-lhe. Encheste o peito de ar, sustiveste a respiração e alargaste os ombros. Projetaste-os ligeiramente para a frente, endureceste os braços, cerraste os punhos, sacudindo-os de seguida. Lentamente, deixaste sair o ar.
É assim que um lutador se prepara para o combate. Mas ao contrário do atleta, que o faz já no ringue, guardaste estes movimentos para ti. Congelaste-os na boa-disposição que te obrigaste a ter, no discurso igual ao de todos os dias para que não se lhe notassem as alterações, no ritmo e na concentração aparentemente intocados.

A vida pediu-te que fosses muito forte e tu desejas corresponder sem nunca quebrar.
Estás orgulhoso, mas às vezes assustas-te. E tens medo.
Num momento qualquer de aparente normalidade, num tema que não pode ser mais corriqueiro, deixas de respirar por instantes; congelas o sorriso e o olhar, falas sem te ouvires.
Estás em pânico. Sentes que se mexeres um músculo que seja te vais desmoronar. Recorres incessantemente à voz da vida, que te pediu que fosses muito forte. «Fala, por favor fala!» gritas-lhe em desespero. Precisas de a ouvir para conseguir respirar outra vez.
E duvidas!

A força e a coragem às vezes assustam um bocadinho. Achamos que não estamos à altura e não nos permitimos nenhuma fraqueza. Ninguém nos garante que conseguimos recuperar. Não nos permitimos atirar para o chão por um momento que seja, porque duvidamos que nos consigamos levantar outra vez.
E obrigamo-nos a nem sequer dobrar os joelhos. Mais, achamos que só correspondemos se nos superarmos ao ponto de decidirmos carregar o peso todo de uma luta que não é travada só por nós. Achamos que temos de nos manter na vertical por nós, pelo nosso problema e por todos aqueles que estão à nossa volta.

Não é uma luta justa, quando o adversário de quem temos receio somos nós.
Sossega e confia. Deus escolheu-te para essa batalha porque sabe que és o soldado certo para passar por ela. Não o teu colega, o teu vizinho, o teu irmão. És tu! Com os teus mais e os teus menos. Com as tuas forças e as tuas fraquezas. Ele conhece-te e jamais exigirá de ti aquilo que não és. Por isso, aquilo que tens é o que é preciso para responderes ao que a vida te pede.
E a vida não te pede que te sintas sempre uma rocha. A vida não te pede que não precises de colo. As vitórias não se medem pelo peso que conseguimos carregar sem deixar cair, pelas lágrimas que guardamos ou por aquilo que não nos permitimos sentir.

As vitórias medem-se por cada obstáculo que conseguimos ultrapassar, mesmo depois de termos caído, por cada sorriso que conseguimos oferecer, mesmo que seja dado entre choro. As vitórias medem-se por cada dia em que aceitamos o pedido da vida para sermos muitos fortes e arranjamos maneira de mais um passo em frente, mesmo que após alguns dados atrás.

As vitórias medem-se por cada presença que marcamos na vida daqueles que precisam de nós, por cada mão que conseguimos estender, mesmo que nos sintamos fragilizados.
Há pedaços de lutas que travamos sozinhos, mas dificilmente nos é dada uma batalha inteira para viver com o peso todo apenas sobre um par de ombros.

É verdade que o mundo adora super-heróis, mas à vida basta que sejamos humanos. Confia. És o melhor soldado para a batalha que te apresentaram. E não tens de a viver sozinho para te considerares merecedor do adjetivo forte.