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O milagre de que necessitamos
11.09.2018
Na nossa sociedade, cada vez mais se encontra a ideia de que ao estar do lado do ser humano pode dispensar-se Deus e ao estar do lado de Deus pode prescindir-se do ser humano. Como é que se chegou a esta confusão? Quem erra mais: quem é ateu e ama mais o mundo e é indiferente a Deus?; ou quem é cristão, que diz amar a Deus, e se desinteressa pelo mundo? Um ditado popular hindu diz que os cristãos até agora só compreenderam metade do cristianismo: que Cristo e Deus são a mesma pessoa, mas ainda não compreenderam bem que Cristo e o ser humano também são a mesma pessoa. Isto lembra-nos o que disse Jesus: «O que fizestes a um destes pequeninos, a mim o fizestes!»

É muito fácil amar a Deus que não se vê: só Lhe falamos quando queremos, ou temos tempo, Ele não responde nem protesta connosco, fica calado e aceita-nos. Mas o nosso próximo não se cala, nem sempre nos aceita, exige de nós, não nos dá descanso.

Consta que Gandhi terá dito: «Cristo é bom, o problema são os cristãos!» E parece que não se converteu ao cristianismo por causa dos cristãos. Porque estes lhe pareciam iguais às outras pessoas: tinham família como os outros, erravam como os outros, pecavam como os outros: assim não valia a pena converter-se para ficar igual aos outros.

Também o filósofo francês, Pierre Bayle, constatou que durante a semana os homens são todos iguais, só no sétimo dia é que uns vão à igreja, outros à sinagoga e outros à mesquita! Ao entrarem no lugar de culto não se saúdam, ao saírem não sorriem, e todos vão para se unirem apenas a Deus.

É claro que não se pode generalizar a experiência religiosa de cada um, nem tão pouco reduzir o bem que crentes e não crentes fazem a meras especulações filosóficas.

Contudo, apercebemo-nos de que o ser humano hoje é como São Tomé, incrédulo, quer poder tocar e ver antes de acreditar. Mas ao encontrar-se com o Amor, cai de joelhos.

Por isso, o milagre de que hoje necessitamos é o amor, a misericórdia, a fraternidade e a proximidade, como tem insistido o Papa Francisco.

Se Deus não nos transforma, é porque ainda não O conhecemos verdadeiramente e também ainda não encontrámos o caminho da nossa humanidade.