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O Papa em Roma e milhares na Cova de Iria a rezar pela Paz
25.03.2022
Foi uma celebração inédita, pelo que ninguém sabia o que esperar. Mas foram milhares as pessoas que responderam ao apelo do Papa e quiseram estar na Cova de Iria a rezar, em uníssono, o Ato de Consagração da Rússia e da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria.

 Foto © Ricardo Perna
Em Roma, eram 16h quando o Papa entrou e iniciou uma Celebração Penitencial que viria a concluir com o Ato de Consagração da Rússia e da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria. Ao mesmo tempo, 18 bispos portugueses acompanhavam o cardeal Konrad Krajewski enquanto entrava na Capelinha das Aparições.
 
O cardeal tinha falado o dia anterior na importância de deixar o silêncio falar neste Ato de Consagração, e assim cumpriu. D. José Ornelas, bispo de Leiria-Fátima e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, acolheu o cardeal e disse que, «em comunhão com o Santo Padre Francisco, em Roma, estamos reunidos neste lugar onde a Mãe do Céu nos convida à conversão, à oração pela paz e nos revela o seu Imaculado Coração como refúgio e caminho para Deus».
 
O presidente da CEP afirmou que, «unidos ao povo ucraniano que nestes dias recebe a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, e nesta hora sombria da história do mundo, deixamo-nos atrair pela luz que irradia do seu Coração Imaculado, e rezamos para que escute a nossa oração e nos alcance do Coração misericordioso do nosso Deus o dom da paz e da concórdia entre os povos”.
 
Depois, teve início a Oração do Terço e não mais se falou na Cova de Iria, perante o silêncio orante de todos.

Foto © Ricardo Perna 
Na Basílica de S. Pedro, durante a Celebração Penitencial, com a Imagem da Senhora de Fátima colocada em destaque, o Papa Francisco tomou a palavra na homilia para falar sobre o poder do perdão, e da necessidade da «presença de Deus, a certeza do perdão divino, o único que apaga o mal, desativa o rancor, restitui a paz ao coração».
 
Esta confiança em Deus, afirmou o Papa, ajuda a combater o «medo e os perigos da existência». «A guerra brutal, que se abateu sobre tantos e que a todos faz sofrer, provoca em cada um medo e consternação», referiu, acrescentando que as imagens fazem surgir uma «sensação de impotência e inadequação».
 
Uma sensação de que «não bastam as nossas forças». «Por nós sozinhos somos incapazes de resolver as contradições da história ou mesmo as do nosso coração», explicou o Papa.
 
É por isso que Francisco afirmou que «precisamos da força sapiente e suave de Deus, que é o Espírito Santo». «Precisamos do Espírito de amor, que dissolve o ódio, apaga o rancor, extingue a ganância, desperta-nos da indiferença».

É que, explicou o Papa, «se queremos que mude o mundo, primeiro tem de mudar o nosso coração». E é aí que encontramos Maria, com quem «Deus mudou a história». Esta consagração, explica, «não se trata de uma fórmula mágica, mas de um ato espiritual». «É o gesto da entrega plena dos filhos que, na tribulação desta guerra cruel e insensata que ameaça o mundo, recorrem à Mãe, lançando no seu Coração medo e sofrimento, entregando-se-Lhe a si mesmos», disse o Papa.

Foto © PCPNE 
Ao mesmo tempo que terminava a celebração em Roma, terminava a leitura das memórias da Ir. Lúcia que foram ecoando pelo santuário. E, ao mesmo tempo, iniciava-se em Roma e na Cova de Iria a leitura do Ato de Consagração. Lá, era o Papa, mas aqui era bem mais que o cardeal Konrad Krajewski, eram os milhares de peregrinos presentes que, munidos de um panfleto entregue no início, rezavam em uníssono pela consagração da Rússia e da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria, pelo fim da guerra.

Por isso acolhei, ó Mãe, esta nossa súplica:
Vós, estrela do mar, não nos deixeis naufragar na tempestade da guerra;
Vós, arca da nova aliança, inspirai projetos e caminhos de reconciliação;
Vós, «terra do Céu», trazei de volta ao mundo a concórdia de Deus;
Apagai o ódio, acalmai a vingança, ensinai-nos o perdão;
Libertai-nos da guerra, preservai o mundo da ameaça nuclear;
Rainha do Rosário, despertai em nós a necessidade de rezar e amar;
Rainha da família humana, mostrai aos povos o caminho da fraternidade;
Rainha da paz, alcançai a paz para o mundo.


Um Ato de Consagração que pedia a Nossa Senhora que apressasse a intervenção de Jesus, como quando o fez nas bodas de Caná da Galileia, para que preserve «o mundo da ameaça nuclear» e que desperte «em nós a necessidade de amar».

«Adoecemos de ganância, fechamo-nos em interesses nacionalistas, deixamo-nos ressequir pela indiferença e paralisar pelo egoísmo» e, em virtude disso, «perdemos a humanidade, malbaratamos a paz» e temos «necessidade urgente da vossa intervenção materna», leu o Papa, leu o cardeal Konrad, os milhares de peregrinos em Fátima e os milhões espalhados pelo mundo, numa transmissão que o canal do Vaticano disponibilizou em sinal aberto para que todos pudessem rezar em conjunto com o Santo Padre.

Muitos dos peregrinos na Cova de Iria eram ucranianos. Percebia-se pelas feições e pelas bandeiras e fitas que ostentavam, uma demonstração de apoio pela oração a todo o seu povo que ainda sofre com a guerra.
 
No final, repicaram os sinos do Santuário e o cardeal e os bispos saíram no mesmo silêncio orante com que entraram. Que o som faça eco no coração de todos quantos fazem a guerra, a fim de que se alcance a Paz.
 
 
Reportagem: Ricardo Perna
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