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O papel do pai na atualidade
19.03.2022
Qual é o papel do pai na atualidade? A simples pergunta mostra a aberração em que vivemos, arrogando-nos a mudar o papel da natureza. A atitude contemporânea, graças à ciência e a técnica, acredita mesmo na tentação da serpente: “Sereis como Deus” (Gn 3, 5). Hoje podem existir crianças com dois pais e sem mãe, ou mesmo com um tubo de ensaio como progenitor; famílias onde a mulher finge de pai e o homem de mãe ou filhos sem pais. Acima de tudo, perdemos a noção do bem e do mal quanto isto, ao contrário do que prometia a serpente.

Que papel do pai na atualidade? Exatamente o mesmo de sempre. Apesar de todos os espantoso progressos e novidades, a tecnologia de gerar e criar seres humanos é a de sempre. Nesse campo, como em tantos outros, só houver um avanço desde as cavernas: “o Verbo fez-se carne e habitou entre nós” (Jo 1, 14).

O pai tem, desde as cavernas, três papéis fundamentais na vida dos seus filhos. O primeiro é ser a referência, o pilar, a regra. Quando abre os olhos, a primeira coisa que a criança vê é a mãe. Ela é o abraço, o sorriso, a segurança. A seguir a criança vê o mundo, o tumulto, a ameaça; e, no centro disso está o pai. O pai mostra e ensina como viver fora do colo da mãe. Claro que a mãe também faz isso, mas a mãe é mãe, e o abraço e sorriso apagam o resto.

O segundo papel do pai é ser alvo da contestação que permite ao jovem tornar-se adulto. Quando o adolescente se sente autónomo, tem de se libertar do lar para seguir o seu caminho. A casa, até então proteção, passa a ser prisão, algo de que a afirmação pessoal se tem de libertar. De novo, a autoridade que a rebeldia juvenil precisa de desafiar é representada pelos dois progenitores. Mas mãe é mãe, e se deixou de ser o colo, continua a ser o abraço, e passa a ser o ombro para descansar das aventuras e desilusões. O pai é o pilar, com que o jovem precisa de embater, para testar o seu rumo. Então o pai tem de se deixar desafiar, contestar, até atacar, sem nunca deixar de ser pai, referência e regra, que permanece depois de todos os desafios, para onde o adulto em breve quererá regressar.

Finalmente, o terceiro papel do pai é ser decadência e morte, indicando ao filho o último destino da vida terrena. Assim como ensinou o filho a nascer e a crescer, tem também de lhe ensinar a decair e morrer, a evolução marcada para todos os seres físicos. Isso também acontece à mãe, mas a sábia natureza costuma levar primeiro o pai, precisamente porque os filhos ainda precisam de um sorriso e um ombro para chorar quando isso acontece.

Estes três papéis existem desde sempre e existirão sempre. Neste campo, como se disse, só houve um avanço desde o Éden. E o Verbo encarnado trouxe aqui dois contributos. O primeiro foi querer precisar de um pai, não para sua geração, mas educação. S. José, a referência, o pilar e a regra de Jesus, tornou-se o modelo de todos os pais. O segundo contributo foi ainda mais decisivo.

A maior força do universo é aquela que une Deus ao seu Verbo. Essa força é tão grande que, ela mesmo, é Deus, o Espírito Santo. Mas quando o Verbo nos quis explicar essa força, a forma que usou foi dizer: “Deus é como um Pai e Eu sou como um Filho”. Claro que as relações internas da Santíssima Trindade são incompreensíveis aos homens. Mas o mais parecido neste mundo é o amor que une pai e filhos.