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O que ainda nos espera…
22.02.2021
Num artigo de opinião que escrevi recentemente, designei 2021 como «o Ano da Esperança». E mantenho a minha posição. De facto, depois do que passámos para chegar até aqui, ao entrarmos no novo ano, creio que temos razões fortes para acreditar que ele será necessariamente melhor do que o anterior, em grande parte pelo aparecimento da vacina que a Ciência conseguiu produzir em tempo recorde para nos proteger e acabar de vez com a pandemia provocada pelo SARS-CoV-2. A este respeito, o chef  Hélio Lourenço lançava, também nas redes sociais, uma mensagem que vem ao encontro da minha reflexão: «O melhor presente de Natal chegou hoje, a vacinação é uma porta de esperança.» O ambiente, em geral, é pois de expectativa e de esperança, e todos acreditamos que, pouco a pouco, iremos retomar a vida normal. A seguir ao Calvário vem a Ressurreição.

Contudo, e por mais otimistas que sejamos, é preciso saber esperar e dar tempo ao tempo, pois não é de um dia para o outro que toda a comunidade adquire as defesas necessárias para evitar a doença. Então o que fazer, pergunta-se? Eu recomendaria duas coisas: ser vacinado e tentar evitar a doença a todo o custo (mantendo o distanciamento social, o uso da máscara, a higiene frequente das mãos e evitar permanecer muito tempo em espaços fechados com muita gente).

Como médico, aconselho vivamente cada pessoa a ser vacinada, quando chegar a sua vez. Para isso é essencial a inscrição no centro de saúde da área da residência, mesmo quem não é utilizador por ter outro sistema de saúde ou pertencer ao setor privado. Uma coisa não invalida a outra, é apenas uma forma de organização. Apraz-me registar, com muito agrado, a posição dos nossos governantes que optaram (e bem!) pela reserva da segunda dose da vacina para aqueles que receberam a primeira inoculação, de modo a evitar a rutura de stock e assim o processo de vacinação ficar concluído corretamente com as duas injeções necessárias.

Apesar deste indiscutível sinal de esperança, não devemos, para já, cantar vitória, pois ainda nos esperam tempos muito difíceis. A crise sanitária está longe de estar debelada. O número de infetados aumenta de dia para dia, bem como o número de vítimas, que é assustador. O Serviço Nacional de Saúde tem resistido conforme pode, mas há especialistas a alertarem para a possibilidade de estar à beira do colapso. As imagens televisivas, que diariamente nos chegam, pondo em destaque o panorama desolador vivido nos hospitais, são chocantes e deixam no ar essas piores previsões…

Por outro lado, as pessoas obrigadas a longos períodos de confinamento, algumas das quais mantendo um isolamento total, começam a revelar problemas psíquicos, próprios da situação a que se chegou, e muitos deixarão marcas, porventura, difíceis de reverter. A crise económica parece ter vindo para ficar, e alguns já perderam o seu emprego devido ao encerramento de várias empresas.

Tudo isto, este tenebroso vírus nos tem causado. E já se fala numa variante (processo natural comum a todos os vírus) que apesar de ser ainda mais transmissível não provoca quadros clínicos tão violentos e tudo aponta para estar coberta pela vacinação. Daí a necessidade de continuarmos atentos às medidas não farmacológicas e de não facilitar na área da prevenção.

O que mais me entristece assinalar é que no meio deste cenário desolador ainda haja espaço para pensar na eutanásia e os nossos políticos não sejam capazes de olhar para o que está a acontecer e continuem a insistir no erro de considerarem aquele caminho como a única solução para os doentes condenados por doenças fatais. Só espero que os profissionais da minha classe se oponham firmemente e sejam verdadeiros arautos ao serviço da vida.

Como acima das decisões dos homens estão as decisões de Deus, é para Ele que eu apelo, pedindo-Lhe força para suportar este tempo de adversidade, coragem para encarar esta realidade como ela é e esperança para acreditar que, após as trevas do presente se dissiparem, a luz vai voltar ao coração de todos nós.