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Vida Cristã
O que é o Dogma da Imaculada Conceição?
08.12.2016
Na celebração do dia 8 de dezembro, dedicado à Imaculada Conceição de Maria, o mons. Feytor Pinto, pároco do Campo Grande, em Lisboa, reflete sobre este dogma mariano.
 
Desde sempre, na tradição da Igreja, se considerou Nossa Senhora, Mãe de Jesus, como uma pessoa dotada de extraordinárias graças. Isaías anunciou ao rei Acaz: «Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho ao qual porás o nome de Emmanuel, que quer dizer Deus connosco.» (Is 7,14) Depois, o arcanjo Gabriel anunciou a Maria que iria ser a mãe do Senhor. Maria aceitou o projeto de Deus, dizendo: «Servirei o Senhor como Ele quiser, seja como tu dizes.» (Cf. Lc 1,26-32) Com o seu “sim”, sem condições, aceitou ser mãe de Jesus, o Salvador. Maria fez da sua vida um total abandono à vontade de Deus. Perante a sua disponibilidade plena e os méritos redentores do seu Filho Jesus Cristo, foi privilegiada com graças extraordinárias, sobretudo o de ser imaculada na sua conceição.

O que quer dizer imaculada na sua conceição?
Que Maria, Mãe de Jesus, foi concebida sem pecado original.
Que é cheia de graça, desde o primeiro instante da sua existência.
Tudo isto se realizou em Maria na previsão dos méritos redentores do seu Filho Jesus Cristo. É esta a proclamação de fé que foi feita pelo Papa Pio IX a 8 de dezembro de 1854. Nesta data, o Papa proclamou o Dogma da Imaculada Conceição.

Esta verdade de fé não nasce apenas do desejo do Papa. Já desde o primeiro século que Maria, Mãe de Deus, era venerada em toda a cristandade. No séc. XIII, os franciscanos começaram a aprofundar quer a vida de Maria, quer o culto que lhe era devido desde o nascimento da Igreja. Isto levou a que um grande teólogo franciscano Duns Escoto se debruçasse no estudo sobre a conceção de Maria e o privilégio de ela ser imaculada, pelos méritos salvíficos de Jesus Cristo. Daqui nasceu, na nossa tradição, o afirmar-se que Maria tinha sido concebida sem pecado. Nossa Senhora, sob o título da Imaculada Conceição, passou a ser venerada em muitas igrejas. Muitas dioceses e paróquias lhe foram consagradas. Até houve países que a consideraram padroeira. Isto aconteceu em Portugal quando D. João IV, depois da independência, em 1646, proclamou, em Vila Viçosa, Nossa Senhora da Conceição como padroeira e rainha de Portugal, muito antes da proclamação do dogma da Imaculada Conceição.

É claro que é preciso saber o que é um dogma. O cân. 749 do Código do Direito Canónico afirma que proclamação dogmática é «o pronunciamento definitivo e infalível de verdades da fé e da moral como reveladas, feito pelo supremo magistério da Igreja» – o Papa ou o Concílio Ecuménico com o Papa. O dogma é então a proclamação da fé feita pelo Papa, ex cathedra, em matéria de fé e de costumes.

Em 1858, Maria aparece, em Lourdes, a Bernardette Soubirou, a quem diz: «Eu sou a Imaculada Conceição.» A aparição em Lourdes confirmou Maria como Imaculada na sua conceção.

Muito antes da proclamação do dogma já esta devoção a Maria, sob o título de Imaculada, era reconhecida pela Igreja. Inúmeros pintores do renascimento produziram telas invocando Maria Imaculada, Virgem e Mãe. Os poetas de todos os tempos têm cantado Maria. Os grandes compositores dedicaram-lhe peças maravilhosas. O dogma de Imaculada apenas confirmou, com o magistério da Igreja, o que o coração de muitos já sentia.
 
Texto de monsenhor Feytor Pinto
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