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Vida Cristã
O que é passar a Porta Santa?
21.07.2016
Nos meses de julho, agosto e setembro, tiram-se dias de férias em que se preparam viagens de turismo, peregrinações a lugares santos, visitas a santuários. Neste ano de 2016, muitos têm a consciência de estar no Ano Jubilar da Misericórdia. Quer em passeio a Roma ou a tantos santuários da Europa e do mundo, há sempre a oportunidade de atravessar a Porta Santa de uma das igrejas a que o Papa deu o privilégio de terem uma Porta Santa, expressamente para a celebração do Jubileu da Misericórdia.



O que significa passar a Porta Santa nas basílicas de Roma? O mesmo se pode perguntar sobre qual o sentido de atravessar a Porta Santa, em todos os santuários que o Papa Francisco quis que estivessem também consagrados ao jubileu. Quem conhece a história dos jubileus, sabe que há quatro grandes razões para atravessar a Porta Santa:
  • Renovar profundamente a vida cristã das pessoas e das comunidades – de facto, depois de uma peregrinação em que se reflete sobre as verdades do Evangelho, as pessoas querem converter-se, mudar de vida, ser melhores.
  • Abrir as portas da justiça – foi o Papa Francisco que o disse neste Jubileu. Não basta ser cristão, rezando. O cristão tem responsabilidades para com os outros. Garantir a justiça, a conceder sobretudo aos mais pobres e aos que mais sofrem, é um serviço para quem quer ser cristão de verdade.
  • Descobrir a profundidade da Misericórdia do Pai – o Pai vai ao encontro de cada um e espera o crente que atravessa a Porta Santa, para o «abraçar e lhe revelar o seu amor. No Jubileu de 2016, os cristãos crescem na convicção da misericórdia do Pai», diz o Papa Francisco.
 
  • Sentir-se cada um participante no mistério do amor de Deus – é preciso pôr de lado qualquer forma de medo ou de temor, porque tal não se coaduna com quem é amado. É urgente viver a alegria do encontro com a graça que tudo transforma.São estes os sentimentos, no dizer do Papa Francisco, que movem os cristãos ao cruzarem a Porta Santa, em Roma, na Sé Catedral de qualquer cidade, nos santuários de grandes dimensões ou nas pequeninas igrejas a que o Papa tenha dado também o privilégio de terem a Porta Santa.

Na programação das férias, as famílias podem organizar-se para fazerem uma peregrinação a um santuário jubilar. Estando numa praia, ou no campo, em tempo de descanso merecido, vale a pena dar um passeio até um desses lugares que o Papa privilegiou com o Jubileu da Misericórdia. O passeio transforma-se em peregrinação, marcada pela alegria, e termina com a travessia da Porta Santa desse santuário escolhido. Por outro lado, as pessoas, ao caminharem pelas montanhas ou na proximidade das grandes cidades, podem ser surpreendidas com um dos templos que têm a Porta Santa. É altura de recriar a fé e de assumir compromissos de justiça e caridade.

Atravessar a Porta Santa nessas circunstâncias é um despertador para uma vida cristã mais exigente. Para viver esta oportunidade de celebrar o Jubileu, ao atravessar a Porta Santa, o que deverão os cristãos fazer? Coisas muito simples: primeiro, querer renovar profundamente a sua vida cristã, numa fidelidade sempre maior à misericórdia de Deus, tendo também misericórdia para com os outros. Depois, atravessar a Porta Santa com desejo consciente de uma conversão verdadeira, de autêntica mudança de vida. Finalmente, participar nos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia, como expressão máxima do amor. A terminar, poderá fazer uma pequenina oração pelas grandes intenções da Igreja, unindo-se ao Papa Francisco na sua preocupação de levar os valores do Evangelho à Igreja e ao mundo.
 
Mons. Feytor Pinto, pároco do Campo Grande, em Lisboa
Texto publicado na revista Família Cristã de julho/agosto de 2016

 
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