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O Sínodo saiu à rua em peregrinação
25.10.2018
A Via Francígena é um itinerário milenar que passa por quatro países, entre campos, montanhas e a primeira estrada construída pelos romanos. Por ali, passaram, ao longo de mais de mil anos, peregrinos a caminho do túmulo de S. Pedro e da Terra Santa, para onde continuavam depois de visitarem Roma. Hoje, os últimos seis quilómetros deste caminho até à Basílica de S. Pedro foram percorridos pelos participantes do Sínodo dos Jovens, aos quais se juntaram alguns jovens da cidade de Roma, num grupo de mais de 300 peregrinos.

 
Desde o início do Sínodo que tinha sido dito que os jovens gostavam de peregrinar, e que era essa uma das melhores formas que encontravam para viver a sua fé. Hoje, os bispos quiseram juntar-se aos jovens em peregrinação. D. Rino Fisichella, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização (Santa Sé), que organizou a iniciativa, explicou à Família Cristã que a peregrinação nasceu da ideia de mostrar «uma Igreja a caminho», para levar o Sínodo à rua, num percurso que evoca a história das peregrinações, ao longo de todos os séculos do Cristianismo.
 
Em conjunto, bispos, sacerdotes e jovens percorreram os quilómetros. Enquanto uns rezavam, outros conversavam, em grupos maiores ou menores, consoante o caminho permitia. Previstas estavam três paragens para uma pequena leitura e reflexão. «O caminho é individual, mas teremos algumas paragens para refletirmos em conjunto», explicava D. Rino Fisichella em inglês, francês, italiano e espanhol, durante uma das paragens.
 
A fazer o caminho estavam D. Inácio Saúre, arcebispo de Nampula, Moçambique, e D. Gabriel Mbilingui, arcebispo do Lubango (Angola). O arcebispo moçambicano referiu que é «muito importante ter os bispos a caminhar junto com os jovens». «O destino desta peregrinação é o túmulo de Pedro e, como bispos, estamos juntamente com o sucessor de Pedro, o Santo Padre, junto do qual vamos fazer a nossa profissão de fé, para renovarmos a nossa comunhão», observou.
 
Uma opinião partilhada pelo prelado de Angola. «No fundo, o Sínodo é caminhar, caminhar juntos, indo na mesma direção, com o apoio uns dos outros», precisou, elogiando a recuperação do «espírito do Sínodo», como momento para caminhar juntos e sentir-se «irmãos», que têm Cristo como seu «guia».

D. Inácio Saúre, à esquerda, e D. Gabriel Mbilingui, à direita 
Uma direção que, nesta manhã, conduziu os participantes por um caminho de floresta durante quase três horas. A cada paragem que coincidia com o cruzamento de uma estrada, era anunciado que havia um autocarro para levar quem estivesse cansado e quisesse desistir, mas não se via ninguém a entrar. A boa disposição e disponibilidade de todos continuava, e as conversas não desarmavam, observando-se muitos bispos em conversa com jovens.
 
À chegada, os peregrinos depararam-se com a visão da Basílica de S. Pedro. O jovem brasileiro Lucas Barboza Galhardo, um dos convidados no Sínodo dos Bispos, falou de um momento em que todos caminharam juntos, «na prática», passando para o terreno o que tem sido discutido nas últimas três semanas. «Foi uma atividade muito boa, de integração. Durante o caminho, pude conversar com vários participantes, foi uma experiência bonita, pude partilhar a vida, conversar com amigos», relatou, já diante da Basílica de São Pedro, na parte final da peregrinação.
 
Após a entrada, a surpresa mais ou menos bem guardada: à espera dos peregrinos estava o Papa Francisco, que se juntou ao grupo para a celebração da missa por trás do Altar da Confissão, presidida pelo cardeal Lorenzo Baldisseri.
 
Um dia de Sínodo diferente.
 
Pode ver abaixo uma fotogaleria dos melhores momentos da caminhada.

A reportagem no Sínodo dos Bispos é realizada em parceria para a Família Cristã, Agência Ecclesia, Flor de Lis, Rádio Renascença e Voz da Verdade, com o apoio da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre.
 
Reportagem e fotos: Ricardo Perna
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