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Obrigado, Pe. Vítor Feytor Pinto!
08.11.2021
A última vez que falei com o Mons. Vítor Feytor Pinto foi em junho passado, pelo telefone, para lhe agradecer, uma vez mais, a sua preciosa colaboração na nossa revista e para lhe pedir autorização para publicarmos em livro (pela PAULUS Editora) os textos que escreveu para a FAMÍLIA CRISTÃ. «Oh, Zé Carlos”» respondeu-me ele, «eu é que agradeço o vosso fantástico trabalho e tens toda a liberdade para fazeres o que quiseres com os meus textos, que aliás não são meus, são de quem os lê». Apesar de parecer mais cansado, a sua voz continuava a ter o mesmo entusiasmo, dinamismo e alegria que sempre lhe conheci.

O Senhor chamou-o para Si no passado dia 6 de outubro. O cardeal-patriarca de Lisboa, na homilia da missa exequial, recordou as suas tão expressivas palavras que orientaram a sua vida: «Até à morte é a natureza e depois fala a ternura de Deus.» «O Pe. Vítor viveu e representou o espírito da Gaudium et spes (as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos nossos contemporâneos) na sociedade portuguesa de uma maneira ímpar […] e com tanta expansão da forma que os meios de comunicação lhe permitiram», sublinhou D. Manuel Clemente.

Durante seis anos assinou na nossa revista a rubrica «Diálogo com o Padre», onde respondeu às perguntas dos nossos leitores ou aos temas que lhe enviámos. Que gosto ler os seus textos, enviados pela Ana Ferro, sempre tão claros e inspiradores para nos ajudar a compreender o que é ser cristão e a missão que temos no mundo de hoje. Diante dos mais variados temas, a sua abordagem partia sempre da realidade concreta, inspirava-se na Palavra de Deus e no Magistério da Igreja, dava exemplos, alertava, inspirava. Revemo-lo perfeitamente nas palavras da Helena Presas, lidas no momento pós-comunhão na missa de corpo presente: «Na escrita como no diálogo tinha um cuidado extremo para ser inclusivo, para não agredir, para passar a ternura de Deus. Pessoa de consensos, tecedor de pontes, lembrava-nos muitas vezes que as pontes servem para ser pisadas por aqueles que querem unir margens. Não suportava os confrontos entre as pessoas, exercendo a sua mediação até atingir algum compromisso. O seu sentido de humor era inigualável, e muitos risos provocou quer em núcleos pequenos, quer em assembleias de qualquer tamanho e em qualquer língua. Dava gosto vê-lo rir com os seus olhos iluminados e transmitindo uma enorme alegria.»

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, numa nota publicada, sublinha que o padre Feytor Pinto «não precisou sequer de pertencer à Hierarquia para ter influência decisiva em momentos essenciais da afirmação da mensagem cristã, com uma constante visão de serviço e de futuro, ou para ajudar a estabelecer diálogos ecuménicos e a aplanar caminhos em paróquias, dioceses e plataformas de partilha, em momentos cruciais da vida comunitária, desde os anos 1970». E recorda com ele «uma muito antiga amizade, que os anos mais recentes tornaram ainda mais forte, com o acompanhamento próximo da Via Crucis, feita de amor à vida e de capacidade de resistir e de se reinventar, que o padre Vítor Feytor Pinto demonstrou até ao último minuto da sua presença entre nós».

Para mim, como certamente para os nossos jornalistas e leitores, o Pe. Vítor foi sempre aquele sacerdote feliz com os pés assentes na terra e com a alma sempre ligada a Deus, que serviu a Igreja e a Sociedade dando o melhor que tinha, sempre com tanta generosidade. Obrigado, Pe. Vítor Feytor Pinto!