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OMS estabelece critérios para regresso à normalidade
28.04.2020
A Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou diretrizes que considera essenciais para o retomar gradual da normalidade nos países afetados pela pandemia do COVID-19. Apesar das indicações gerais, a perceção é que o regresso à normalidade será diferente de país para país, e que é necessário que a população esteja consciente disso. «Os desafios e as circunstâncias variam de país para país e não existe uma abordagem única para todos. É vital que os países comuniquem isso claramente ao público para criar confiança e garantir que as pessoas observem restrições específicas à sua situação», pode ler-se no comunicado da OMS.

© Martin Sanchez | Unsplash
Este documento surge como «apoio» aos países que se preparam, como Portugal, para começar a aliviar as medidas de confinamento da população e das empresas. Hans Henri P. Kluge, diretor regional da OMS para a Europa, afirma que «este documento visa apoiar os países, fornecendo considerações importantes para o abrandamento lento das restrições e a transição para um 'novo normal'». «Embora todos desejem o retorno da atividade económica, é importante deixar claro que será um processo gradual, exigindo monitorização rigorosa e uma possível reintrodução de medidas, caso ocorra um novo aumento de casos», considera.

São seis os critérios que a OMS indica para começar a alargar as restrições em cada país. Antes de mais, mostrar que «a transmissão COVID-19 é controlada» e que «a saúde pública e as capacidades do sistema de saúde estão em vigor para identificar, isolar, testar, rastrear contatos e colocá-los em quarentena».

Depois, a organização pede garantias que «os riscos de surtos são minimizados em ambientes de alta vulnerabilidade, particularmente em lares para idosos, instalações de saúde mental e locais de residência cheios», e que «sejam estabelecidas medidas preventivas no local de trabalho, incluindo distanciamento físico, instalações de lavagem das mãos e etiqueta respiratória».

Para esta entidade, é também essencial que «os riscos de importação de contágios possam ser controlados» e que «as comunidades tenham voz e estejam conscientes, envolvidas e participem na transição».

A OMS refere que os países estão em «estágios diferentes» do combate à pandemia, e que, também por isso, as medidas em cada país deveriam diferir, consoante a realidade epidemiológica do país. Para além disso, e como já aconteceu em alguns países que levantaram as restrições e foram obrigados a reintroduzi-las, a OMS considera «importante que os países reconheçam que pode ser necessário reintroduzir medidas de distanciamento físico para gerir potenciais surtos», ou segundas vagas de contágio.

Neste sentido, a OMS defende, neste comunicado, que «um programa de vigilância rigoroso para identificar, testar e isolar todos os casos e rastrear e colocar em quarentena os seus contatos é vital para garantir que os surtos localizados não fiquem fora de controlo». Aqui entra o fator de contágio que tem vindo a ser referido pelas autoridades de saúde portuguesas, embora neste caso a OMS seja menos ambiciosa que aquilo que a Direção Geral de Saúde (DGS) em Portugal tem indicado. A OMS avisa que «os casos não devem exceder um fator reprodutivo sustentado de 1 e, idealmente, devem permanecer abaixo de 1». «Isto significa que uma pessoa infetada com COVID-19 não transmite a doença a mais de uma pessoa para manter o número de casos plano», pode ler-se no comunicado, enquanto a DGS tem falado num fator de contágio de 0,7 como o patamar mais seguro para evitar uma segunda vaga de contágios que coloque em causa a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde.

Para além destes cuidados, a OMS refere ainda que o resultado de levantar quaisquer restrições não pode ser avaliado de dia para dia, mas apenas em períodos de 10 a 14 dias, e por isso o «relaxamento das restrições será gradual», para permitir perceber o resultado que o levantamento de certas medidas vai tendo na taxa de contágio.

Para além disso, a OMS recomenda que «os profissionais de saúde precisam de ter oportunidade de descansar e recuperar», mas avisa que «a COVID-19 afetou a prestação rotineira de serviços, eliminando outros problemas de saúde que os sistemas de saúde precisam de resolver rapidamente». «Por exemplo, as crianças podem não ter levado as vacinas de rotina, situação que precisa de ser rapidamente corrigida para evitar surtos de doenças evitáveis ​​por essas vacinas».
 
Texto: Ricardo Perna
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