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Organizações portuguesas pedem fim da violência em Moçambique
22.01.2021
Um conjunto de mais de 30 organizações da sociedade civil assinam, através de um artigo de opinião publicado no site do jornal Público, uma carta aberta ao governo português manifestando o «desejo de que o Governo português e a União Europeia se envolvam na solução da crise humanitária que atinge a região de Cabo Delgado, em Moçambique».


A principal preocupação deste conjunto de organizações é o «meio milhão de deslocados internos» e as condições de vida destas pessoas, já que a ajuda do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) apenas chega a 10% destas pessoas.
 
Neste sentido, as organizações pedem «ao Governo que apoie o Governo de Moçambique na identificação de necessidades e que, respeitando Moçambique como estado soberano, se promova o envolvimento das organizações multilaterais, regionais e dos países vizinhos e da sociedade civil moçambicana», instando ainda o executivo «a aproveitar a Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia (UE) para colocar definitivamente na agenda a crise humanitária de Cabo Delgado».
 
Para além disso, estas organizações pedem ainda aos meios de comunicação social que «informem sobre a crise humanitária de Cabo Delgado e investiguem as diferentes causas desta violência, evitando leituras parcelares», procurando, com isto, que se promova «o cessar da violência, os direitos humanos e um desenvolvimento sustentado».
 
Sacerdote missionário em Pemba traça cenário de «fome»
Nestes dias, o testemunho do Pe. Edegard Silva, missionário em Pemba, relata casos de fome entre os milhares de deslocados que fugiram todos par a cidade de Pemba. «A cidade em si não tem gerado empregos», diz o missionário saletino brasileiro, «e mesmo que tivesse», afirma, os deslocados são agricultores, habituados «a trabalhar nas machambas, nas plantações». «O que eles sabem fazer bem é plantar. Plantar o milho, plantar o feijão… É isso que eles sabem. Então, chegando aqui, não tendo trabalho, não tendo terra para plantar, tem muita fome. Tem muita…», relata, em declarações à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre.
 
Para além disso, os deslocados enfrentam problemas culturais, relacionados com os dialetos locais. «Há a questão cultural», explica o Padre Edegard, pois «Vai misturando todo o mundo» e vão surgindo problemas até ao nível da língua. «Por exemplo, a comunidade que eu servia era eminentemente maconde. Predominava o povo maconde. Então, se você leva esse povo para outro lugar dentro da diversidade linguística que tem aqui, então isso vai ser um processo muito complicado até do ponto de vista da comunicação. E isso já está a acontecer», refere o sacerdote.

 
Texto: Ricardo Perna
Foto: Fundação AIS
 
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