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Vida Cristã
Os cristãos podem festejar o Carnaval?
23.02.2017
Monsenhor Vítor Feytor Pinto explica se os cristãos podem "brincar" ao Carnaval.



Esta época de festas, antes do culto de agradecimento aos deuses no politeísmo, acabou por ser adotada pela Igreja Católica, já nos finais do séc. d. C., como forma de expressão de alegria, antes de se entrar na Quaresma, o tempo de preparação para a Páscoa. Foi no ano de 590 d. C. que a Igreja Católica celebrou pela primeira vez o Carnaval. Cumpre-se neste caso o que foi habitual em muitas outras situações, dar-se a dimensão espiritual e mesmo religiosa às antigas festas pagãs da Grécia e de Roma.

A Igreja Católica celebra o Carnaval como tempo de alegria, antes de entrar na Quaresma. Durante a preparação para a Páscoa vivem-se dias de penitência e de austeridade. Justifica-se, por isso, os três dias de Carnaval como tempo de diversão com maior liberdade. Celebrar o Carnaval faz parte da vida cristã. As crianças vestem-se como se fossem para bailes de máscaras; os jovens pregam partidas que, sendo inocentes, provocam a gargalhada geral; os adultos contam histórias de carnavais passados e até as populações com tradições antigas celebram rituais que a todos enchem de alegria. Tudo isto é hoje o Carnaval da civilização moderna. Por vezes há excessos. Os cristãos podem sempre celebrar o Carnaval, contrariando expressões que poderiam comprometer os valores da dignidade humana e do respeito pelos outros.

Há muitas maneiras de celebrar o Carnaval. Recordo, em 1965, ter estado em Bolonha, onde o Carnaval era organizado pelo próprio Card. Lercaro, arcebispo da cidade. O corso era constituído por cenas bíblicas, acontecimentos sociais, afirmação satírica de personagens sempre com um humor que interpelavam o que divertia sem magoar. Na Alemanha, há celebração de carnavais que têm carácter pedagógico, criando responsabilidade na atenção aos mais fracos. Tantas vezes nestes festejos faz-se recolha de fundos que irão resolver problemas onde a solidariedade se torna urgente.

Hoje, o Carnaval cristão não dispensa as expressões de alegria, as máscaras, as pequenas partidas, as festas. O tempo de Carnaval não é tempo de pecado como durante séculos foi visto. É oportunidade de abrir o coração a atitudes coletivas de alegria, com palavras e gestos que preparam para o tempo quaresmal. Para os cristãos, a alegria é sempre um fruto do Espírito Santo que com o amor nos concede a paz (cf. 5,22). Há também quem aproveite o tempo de Carnaval simplesmente para descansar das tarefas diárias. Para outros, estes dias convertem-se em tempo de oração e até mesmo de retiro espiritual. Há ainda quem tenha no Carnaval oportunidade de estudar ou de ler coisas que ficaram atrasadas. São formas diferentes de viver estes três dias, antes de entrar na Quaresma. O Carnaval, na roda do ano, faz parte dos rituais cristãos e constitui oportunidade para o louvor, a diversão, a simplicidade que traz à vida a alegria de Deus.
 
Foto: Freeimages/Roberto Torres

Excerto de Diálogo com o Padre publicado na edição de fevereiro da FAMÍLIA CRISTÃ de 2017.
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