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Os meus medos ou os medos dos meus filhos?
02.08.2021
Quando há algo que julgamos ser demais para nós, o que é que fazemos? Fugimos? Falta-nos coragem, valentia?
Em algumas das circunstâncias da nossa vida, com certeza, já refletimos sobre o que deixámos de fazer porque tivemos medo; no que queríamos dizer e não dissemos por vergonha ou receio de falhar; ou até já pensámos naquela manifestação de afeto que reprimimos por um sentido excessivo do ridículo. Em todas estas situações criámos falsas seguranças baseadas apenas na lógica.

Devido aos nossos medos concebemos, frequentemente, mundos inventados que nos impedem de atuar, consideramos consequências que ainda não existem, mas que antevemos como algo muito real. Desta forma, quando os filhos querem fazer alguma coisa que nos deixa desconfortáveis porque temos medo ou vergonha, a nossa primeira reação é impedi-los que o façam, transferindo o nosso problema para eles. Temos de ter em conta que embora os medos não sejam uma escolha de cada qual, somente a pessoa em particular pode enfrentar e eliminar esse medo.

Assim, é importante que as crianças aprendam o que é ter coragem ou a ser valentes, pois são valores que as ajudarão a enfrentar situações, desafios e problemas, na escola, na rua, entre amigos e com os familiares, ao longo das suas vidas. Como pais estaremos a ajudá-las a retirar forças das suas fraquezas. Ao praticarem atos de coragem, os filhos tornar-se-ão valentes e quanto mais corajosos forem mais resilientes poderão ser.

Ser-se corajoso nos dias de hoje é ter a força de superar o desconhecido. É, sem dúvida, a oportunidade de enfrentar a situação que a vida está a oferecer ou que cada um escolheu. Ser valente é ter a capacidade de pensar, falar e agir, apesar do medo ou da vergonha que se possa estar a sentir. A coragem e a valentia são um dos pontos fortes da pessoa humana que é essencial praticar diariamente. Sem elas é provável que não se consiga bem-estar, serenidade, satisfação e muito menos crescimento pessoal. Para que haja êxito tem de haver esforço.

A coragem e a valentia em pessoas bem formadas costumam aparecer face à injustiça praticada. Esta ajuda o adolescente e, em particular, o jovem adulto a agir nos cenários indesejáveis que hoje prevalecem na nossa sociedade. Com a razão conseguirão agir inteligentemente nas situações mais desafiantes. Ajudá-los-á a superar a indiferença perante o mal e a injustiça, a agir contra a violência, a superar a arte da manipulação política, a estar atento ao materialismo hedonista, a estar vigilante contra a intolerância religiosa e racial, a navegar no labirinto social da crise no mercado laboral, a corresponder à própria vocação sem serem tímidos.

Ser corajoso é, pois, decidir superar os medos. Medos do que os outros possam dizer, da responsabilidade excessiva, do não poder falhar e da dependência emocional. Quando não se enfrentam esses medos não os ultrapassamos e bloqueamo-nos a nós próprios, ficamos parados e não fazemos nada. Mas, se pelo contrário, os conseguirmos enfrentar, sentir-nos-emos como as pessoas mais corajosas do mundo, porque ultrapassámos todos os nossos limites e ousámos avançar confiando na sabedoria interior e na coragem.

São João Paulo II expressou de uma forma maravilhosa o poder que se tem se se optar por viver a vida com coragem e valentia: «Somos todos capazes de realizar grandes feitos se nos recusarmos a ser derrotados pelo medo das nossas fraquezas.»