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Otimismo: um fator protetor da saúde
25.05.2020
Andamos à procura do “pensamento positivo” e do otimismo que nos permita ultrapassar esta fase e talvez devamos levar esta tarefa a sério, porque pode ser um contributo para a nossa saúde.
 
«Ver o copo meio cheio», «acender uma vela ao invés de praguejar contra a escuridão», «ver as coisas pelo lado positivo», «aprender e retirar lições dos momentos difíceis» são expressões aplicadas ao quotidiano da definição dada pelo dicionário. Os “otimistas” serão os que creem nessa maneira de ver a vida que lhes permite caminhar ao lado da esperança, da confiança.
Mas há outros fatores que apontam para os benefícios do otimismo. Para além da saúde mental, em que o otimismo se revela um fator positivo contra a ansiedade, a depressão, o desespero, têm vindo a ser desenvolvidos estudos ao longo dos anos que ajudam a estabelecer uma relação entre o otimismo e a saúde.

As últimas conclusões surgiram no segundo semestre de 2019, através de dois estudos. O primeiro, publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences of the U.S.A cruzou e analisou amostras de dois estudos anteriores sobre saúde, um realizado a enfermeiras (entre 2004 e 2014) outro a veteranos (entre 1986 e 2016). As principais conclusões deste último estudo sugerem que o otimismo está relacionado com uma vida mais longa de 15% para as mulheres e 11% para os homens. Analisando as amostras, também se verificou uma probabilidade (1.5 para as mulheres e 1.7 para os homens) maior de atingir longevidade excecional, isto é, viver até aos 85 anos, isto, independentemente das condições socioeconómicas, das condições de saúde ou comportamentos. Ainda assim, os investigadores reconheceram ser necessário analisar outros estudos, pois a população destes dois era maioritariamente caucasiana e de um estrato social superior ao da restante população.

Outro dos estudos publicados, neste caso pelo Journal of the American Medical Association indica que pessoas otimistas têm 35% menos de probabilidade de sofrer de doenças cardiovasculares, como angina de peito, ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral. O estudo recorreu a outros 15 estudos em que o otimismo era um dos indicadores ou medidores, estudos esses compreendidos num período de 14 anos e com uma amostra total de cerca de 229 mil pessoas.

Já no início deste ano, um estudo-piloto, com uma amostra de 49 pacientes vítimas de acidente vascular cerebral, revelou que os sobreviventes com uma perspetiva otimista apresentavam níveis de inflamação mais baixos quando comparados com doentes mais pessimistas, com uma menor severidade e uma menor incapacidade resultante do episódio de AVC ao fim de três meses.

A influência do otimismo na vida de cada um tem vindo a ser estudada de diferentes perspetivas ao longo dos anos em diferentes estudos com conclusões que apontam para este ser um fator protetor da saúde no geral: as pessoas otimistas têm tendência a adotar hábitos mais saudáveis, têm mais saúde (menos doenças e com menor gravidade), vivem mais tempo, reagem melhor ao stress e este tem menos impacto na sua saúde, são menos depressivas, entre outras.

Numa altura como aquela que vivemos, em que os receios de uma degradação da saúde mental (causada pelo isolamento, pelo pessimismo, pela falta de perspetiva) têm sido manifestados pelos profissionais da área, bem como de uma degradação da própria da saúde no geral (pelo adiamento de tratamentos ou consultas), trabalhar o otimismo pode ganhar uma importância ainda maior na proteção da saúde, individual, mas também dos mais novos, que estão fechados em casa com os pais.
Procurar estudos e literatura sobre o otimismo é um dos passos para aprender trabalhar esta ferramenta.

Outro, é cultivar a gratidão, fazendo uma lista diária de tudo aquilo que temos a agradecer. Quando nos concentramos repetidamente em tudo o que já temos começamos a ver o copo a encher.