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Pais ou creche, com quem deixar o bebé?
13.04.2020
Atualmente, com as alterações na dinâmica familiar, trabalhar tornou-se numa necessidade. A grande maioria dos casamentos é constituída por dois profissionais. E, como se imagina, um dos debates em torno da parentalidade é saber se os filhos devem ficar em casa ou devem ir para a creche. A decisão não é fácil, por isso deve ser tomada com prudência e ponderação.
Partilho convosco, que estes temas devem ser falados já durante o tempo de namoro. São questões que devem ser discutidas e negociadas entre o casal para, em consenso, definirem como pretendem direcionar a sua futura família, o seu projeto de vida em comum.

Todos sabemos que criar um filho em casa significa que um dos membros do casal, normalmente a mãe, mas cada vez mais o pai, tenha de se afastar, pelo menos por um tempo, da sua atividade profissional – ou seja: reduzir as horas de trabalho ou parar de trabalhar. Este tempo também é conhecido pelo baby-pause. O importante é que os dois estejam conscientes da escolha que fazem. 

Na realidade, quando os filhos chegam, aparece uma certa ambiguidade de sentimentos, de um lado a alegria e do outro as preocupações. Afinal há pouco dinheiro, o tempo é escasso e a relação conjugal assume um outro patamar.

Porém, no nosso sistema socioeconómico, os pais de hoje têm de ser pessoas muito realistas e resilientes. Embora a decisão devesse recair sobre a qualidade, muitas vezes o que acontece é que se coloca um grande foco no aspeto financeiro. Para já não falar na necessidade de enfrentar a imagem negativa de ficar em casa a cuidar dos filhos, que é imposta pela sociedade.
Cada família conhece a sua realidade e as suas possibilidades, nem todas as experiências são iguais, nem a felicidade depende dos mesmos fatores. É imprescindível, portanto, definir metas e objetivos, fazer um orçamento familiar e, claro, pesar todos os prós e os contras de tal decisão. Estes podem passar pela situação económica, pelas personalidades dos próprios pais, pelo apego que cada um tem face à sua carreira profissional, pelos sentimentos e emoções que sentem, pela complexa tarefa de conciliação entre trabalho e família e, sem dúvida, pela difícil aceitação de estarem a perder marcos tão importantes no desenvolvimento dos seus filhos.

E então, em que ficamos: os filhos devem ficar com os pais ou ir para a creche?
Na minha opinião, a creche deveria ser uma hipótese só quando estivessem esgotadas todas as possibilidades de os filhos poderem ficar no aconchego do lar, e nunca antes dos três anos. De facto, os primeiros anos da vida de uma criança são de vital importância para o seu desenvolvimento emocional e social. Para que este desenvolvimento seja o mais harmonioso possível, precisa de cuidadores empáticos, firmes e afetuosos, capazes de estabelecer um vínculo afetivo que favoreça o crescimento das crianças. E só o calor, a proximidade e o amor de uma mãe ou de um pai é insubstituível.

Mas não sendo isso possível, esses pais não deixam de amar mais ou menos os seus filhos. A sua decisão terá sido tão difícil quanto a dos outros. E como profissionais, eles estão por toda a parte: quando vamos com os filhos ao pediatra; à escola; aos terapeutas, ao agente imobiliário, ao farmacêutico, ao supermercado…, a lista é interminável.

Que tipo de sociedade seria a nossa se não houvesse profissionais que estivessem lá para cada um de nós? Estas pessoas, paralelamente a serem pais, decidiram ter uma profissão e contribuir de alguma forma para a sociedade. Mostram-nos força, dedicação e tenacidade, e ainda o fazem com muita alegria e amor. Por isso mesmo, cada caso é um caso individual, irá depender dos filhos, da família e da qualidade da própria creche. Haverá sempre um abdicar de algo. O ideal seria que Portugal implementasse políticas familiares que ajudassem, de facto, quer os pais que ficam em casa quer os que têm de ir trabalhar fora dela. Fica a sugestão.