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Pandemia da pobreza…
27.04.2020
Hoje foi divulgado um estudo da DECO que concluiu que quase 60% da população ativa está a receber menos por mês. As mulheres são três vezes mais afetadas do que os homens. A perda de rendimentos é causada pelo lay off, horário ter sido reduzido ou desemprego.

Uma situação que está já a ter efeitos na pobreza e que se traduz já em fome. Os pedidos de ajuda ao Banco Alimentar dispararam. Isabel Jonet revelou, numa entrevista à Rádio Renascença, que por causa da pandemia de COVID-19 serão 55 mil as pessoas a pedir ajuda. Os relatos são duros: «Há muitas pessoas que nos chegam hoje ao Banco Alimentar que dizem estar há mais de dois dias sem conseguir nada, no frigorífico têm apenas restos. São situações reais, muito, muito duras. Estou há 27 anos no Banco Alimentar e nunca vi nada assim.»

Todos conhecemos alguém ou em lay off ou desempregado ou em assistência à família por causa do encerramento das escolas. Todas estas medidas, mesmo que com o apoio da Segurança Social, implicam quebra de rendimentos para as famílias. Muitas não estavam preparadas com um pé de meia que pudesse acomodar vários meses sem salário ou uma quebra acentuada nos rendimentos.

Ninguém tem culpa das medidas de isolamento que foi preciso tomar e que todos, ou quase todos, concordamos serem essenciais. Mas a verdade é que além da pandemia de saúde, a “pandemia” económica veio para ficar também. É preciso enfrentá-la unidos.

Felizmente o Banco Alimentar, como a Cáritas, autarquias, paróquias e outras associações têm-se mobilizado para ajudar como podem. Mas a dimensão do problema afigura-se demasiado grande. Além da estratégia de relançamento da economia, que será debatida esta semana no Parlamento, também se exige uma estratégia de combate à pobreza ou de apoio aos pobres, antes que o problema se agrave muito mais. A subsidiariedade faz as instituições fazerem o que podem e devem ao seu nível. Cada um de nós poderá fazer algo, à sua escala. A Cáritas e o Banco Alimentar podem ser ajudados com donativos. Mas o Estado terá de apoiar também, dada a dimensão do problema. Claro que tudo isto implica dinheiro e os fundos do Estado não são um poço sem fundo. Não sou economista, mas os tempos que vivemos e que vamos viver vão ser difíceis.

As pessoas devem ser sempre a prioridade. Para todos. Como tem sido até agora. Por isso nos fechamos em casa. Por isso, usaremos máscara para nos protegermos uns aos outros. Por isso, nos mantivemos longe uns dos outros e aceitámos abdicar de algumas das nossas liberdades. Lutámos e teremos de continuar a lutar. A pandemia COVID-19 e a pandemia da pobreza estão aí para durar. Temos de agir para minorar os seus efeitos.