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Papa visita o Congo e o Sudão do Sul
03.03.2022
A Sala de Imprensa do Vaticano anunciou que o Papa Vaticano vai visitar a República Democrática do Congo (RDC) e o Sudão do Sul, numa viagem apostólica de 2 a 7 de julho próximos.

 
Vai ser a primeira vez que um Papa visita qualquer um dos países. O Papa já tinha expressado vontade de visitar a RDC numa entrevista concedida em outubro do ano passado, um dos países africanos com maior número de católicos, cerca de 35 milhões, com um potencial de crescimento que o coloca na linha da frente para poder ser um dos motores de transformação e evangelização do continente africano.
 
Apesar disso, e de um potencial de recursos naturais assinalável, a verdade é que o caos se mantém, num país dilacerado por conflitos. Desde logo, no Congo Ocidental, onde os conflitos étnicos entre os Batende e os Banunu têm feito centenas de mortos. Mas também no este, onde, segundo o jornalista John Allen escreveu no Crux, mais de 116 grupos armados criaram uma zona sem lei que tem feito milhares de mortos nos últimos anos. Há mais de 5,5 milhões de congoleses que são refugiados dentro do seu próprio país, enquanto cerca de um milhão fugiu do país à procura de asilo e está espalhado por mais de 20 países.
 
O país é ainda o terceiro país mais pobre do mundo, onde a maioria da população sobrevive com 1,13 euros por dia.
 
O Sudão do Sul, por seu lado, é um dos mais jovens países do mundo, tendo sido criado em 2011. A interação do Papa com este país não é de agora. Em 2019, o Papa acolheu uma reunião com os principais líderes políticos do país, a quem pediu que fizessem a paz, e a quem, num gesto de humildade que surpreendeu todos, beijou os pés. «Peço-vos, como irmãos, que mantenham o rumo da paz. Peço-vos com todo o meu coração, sigam para a frente unidos. Resolvem os vossos problemas nos gabinetes», pediu, na altura.
 
Esta visita ao Sudão do Sul poderá contar com a presença do Arcebispo de Cantuária, D. Justin Welby, que, há pouco mais de um mês, tinha afirmado ao National Catholic Reporter que «nos próximos meses» poderia ser feita uma viagem conjunta, a primeira vez que tal aconteceria na história, que procuraria encorajar a paz num país dilacerado pela guerra. «Se Deus quiser, nos próximos meses, talvez ano, iremos lá encontra-los em Juba, não em Roma, para podermos ver que progressos poderemos fazer», referiu, à saída de uma reunião de líderes da Comunhão Anglicana.
 
O Vaticano não confirmou, entretanto, que a viagem se realizaria em conjunto com o arcebispo da Cantuária. Esta será a 37ª vagem apostólica do Papa fora de Itália, e a 5ª em território africano, depois de visitar Moçambique, Maturícias e Madagascar, Egito, Marrocos e Uganda, Quénia e República Centro-Africana.

 
Texto: Ricardo Perna
Foto: MONUSCO/ Myriam Asmani
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