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Papa convoca oração mundial
23.03.2020
Na próxima quarta-feira, haverá um momento de oração mundial ao meio-dia, com a recitação do Pai-Nosso, pedindo o fim da pandemia. Foi o Papa Francisco quem convocou esta oração, a partir da Biblioteca Apostólica do Vaticano, onde recitou a oração dominical do Angelus.



«Nestes dias de provação, enquanto a Humanidade estremece com a ameaça da pandemia, gostaria de propor a todos os cristãos que unam as suas vozes para o Céu. Convido todos os chefes das Igrejas e os líderes de todas as comunidades cristãs, juntamente com todos os cristãos das várias confissões, a invocar o Deus Altíssimo, Todo-Poderoso, enquanto recitam simultaneamente a oração que Jesus, Nosso Senhor, nos ensinou», disse, citado pela Agência Ecclesia.

A oração acontece no dia da festa litúrgica da Anunciação. «Que o Senhor ouça a oração unânime de todos os seus discípulos, que estão a preparar-se para celebrar a vitória do Cristo ressuscitado», pediu Francisco. Além disso, o Papa pede que rezemos «várias vezes por dia» o Pai-Nosso. Também na sexta-feira, Francisco presidirá a um momento de oração no adro da Basílica de São Pedro «com a Praça vazia» às 18h de Roma.


Indulgência Plenária atribuída
Também a Penitenciária Apostólica da Santa Sé emitiu um decreto, concedendo indulgência plenária aos doentes de COVID-19, aos que deles cuidam e a todos os fiéis do mundo. No documento, disponibilizado no site do Vaticano em chinês, italiano, espanhol, e inglês, pode ler-se que «concede-se o dom de Indulgências especiais aos fiéis que sofrem a enfermidade de Covid-19, comummente conhecida como Coronavírus, assim como aos profissionais de saúde, aos familiares e a todos aqueles que, em qualquer qualidade, os cuidam».

Falando de um momento em que há «angustiosos temores, novas incertezas e, sobretudo, por um sofrimento físico e moral generalizado», a Penitenciária Apostólica lembra a proximidade, ação e preocupação de sempre da Igreja com os que sofrem. Neste momento, «concede-se a Indulgência plenária aos fiéis doentes com Coronavírus, sujeitos a quarentena por ordem das autoridades de saúde nos hospitais ou em suas próprias casas se, com espírito desprendido de qualquer pecado, se unem espiritualmente através dos meios de comunicação à celebração da Santa Missa, à oração do Santo Rosário, à prática piedosa da Via crucis ou a outras formas de devoção, ou se ao menos rezam o Credo, o Pai-Nosso ou uma piedosa invocação à Santíssima Virgem Maria, oferecendo esta prova com espírito de fé em Deus e de caridade para com os irmãos, com a vontade de cumprir as condições habituais ( confissão sacramental, comunhão eucarística e oração segundo as intenções do Santo Padre) quando lhes for possível.» Nas mesmas condições a Indulgência Plenária é obtida pelos agentes de saúde, familiares, todos aqueles que cuidam dos doentes e aos fieis que «ofereçam a visita ao Santíssimo Sacramento, ou a Adoração Eucarística, ou a leitura da Sagrada Escritura durante pelo menos meia hora, ou a oração do Santo Rosário, ou o exercício piedoso da Via Crucis, ou a oração da coroa da Divina Misericórdia, para implorar a Deus Todo Poderoso o fim da epidemia, o alívio dos aflitos e a salvação eterna daqueles que Deus chamou a Si». O decreto foi assinado no dia 19 de março pelo cardeal Mauro Piacenza.

Esclarecimentos sobre Reconciliação
Foto: pixabayA Penitenciária Apostólica também fez publicar uma nota sobre o sacramento da Reconciliação na atual situação de pandemia.
Nela, pode ler-se que «a confissão individual representa o modo ordinário de celebrar este sacramento (cf. c. 960 do Código de Direito Canónico), enquanto a absolvição coletiva, sem a confissão individual prévia, não pode oferece-se a não ser em caso de perigo iminente de morte, por falta de tempo para ouvir as confissões dos penitentes individuais (cf. c. 961 § 1 do Código de Direito Canónico) ou por grave necessidade (cf. c. 961 § 1 do Código de Direito Canónico)».

Nas atuais circunstâncias, a Penitenciária Apostólica, crê que «sobretudo nos lugares mais afectados pelo contágio da pandemia e até que o fenómeno desapareça, se produziram os casos de grave necessidade citados no can. 961, § 2 CIC». Aconselha os bispos diocesanos a indicar aos sacerdotes e penitentes os cuidados que se devem ter na confissão individual, como «celebração num lugar ventilado fora do confessionário, uma distância adequada, o uso de máscaras protectoras, sem prejudicar a absoluta atenção à salvaguarda do sigilo sacramental e a necessária descrição». Também compete ao bispo diocesena deficinar os casos em que é possível a absolvição coletiva.

O cardeal Mauro Piacenza relembra que «quando o fiel se encontra na dolorosa impossibilidade de receber a absolvição sacramental» «a contrição perfeita, procedente do amor de Deus amado sobre todas as coisas, expressada por uma sincera petição de perdão (a que o penitente possa expressar nesse momento) e acompanhada de votum confessionis, quer dizer, do firme propósito de recorrer quanto antes à confissão sacramental, obtém o perdão dos pecados, incluindo mortais (cf. Catecismo, n. 1452).

Para apoiar os fiéis doentes, a Penitenciária Apostólica sugere «grupos de “capelães extraordinários de hospitais”, com carácter voluntário».
 
Texto: Cláudia Sebastião
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