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Papa e líderes religiosos apelam à Paz e exigem desarmamento dos países
07.10.2021
O Papa e líderes religiosos de todo o mundo assinaram hoje em Roma um apelo conjunto pela paz, rejeitando qualquer ato de violência ou o fundamentalismo em nome dos seus credos. «As religiões podem encontrar a paz e educar para ela. As religiões não podem ser usadas para a guerra. Só a paz é sagrada e ninguém deve usar o nome de Deus para abençoar o terror e a violência», refere o texto, proclamado junto ao Coliseu de Roma por Sabera Ahmadi, uma jovem afegã que fugiu recentemente do país, encerrando um encontro inter-religioso pela paz promovido pela Comunidade católica de Santo Egídio, intitulado ‘Povos, Irmãos, Terra Futura. Religiões e Culturas em Diálogo’.


Juntos com o Papa estiveram Bartolomeu, Patriarca Ecuménico de Constantinopla, Karekine II, Patriarca Supremo dos Católicos e de todos os arménios, Ahmad Al-Tayyeb, Grande Imã de Al Ahzar, o Chefe Rabino Pinchas Goldschmidt, presidente da Conferência dos Rabinos europeus, Shoten Minegishi, do Budismo Soto Zen, do Japão, Sayyed Abu al-Qasim al-Dibaji, da Organização Mundial de jurisprudência Pan-islâmica do Kuwait, Andrea Riccardi, fundador da Comunidade de Santo Egídio, Lakshmi Vyas, Presidente do Fórum Europeu Hindu, Jaswant Singh, do Conselho da presidência Gurdwara Shri Kalgidhar Sahib, da religião Sikh e o bispo evangélico-luterano Heinrich Bedford Strohm.

O apelo, assinado por todos, evoca as «guerras abertas, ameaças terroristas e violência grave» que afetam o planeta, marcado ainda pelas crises dos refugiados e do ambiente, «demasiadas mulheres ofendidas e humilhadas, crianças sem infância, idosos abandonados». «Os pobres, muitas vezes invisíveis, hoje participam de maneira especial no nosso encontro: são os primeiros a invocar a paz. Ouvi-los faz-nos entender melhor a loucura de cada conflito e violência», acrescenta o documento.
 
Os participantes apelam a um processo de desarmamento, que dizem estar «bloqueado», que trave o comércio de armas e elimine a ameaça nuclear que pende sobre a humanidade, alertando para um pensamento dominante «predatório, pronto para a dominação e a guerra». «Paz também significa respeitar o planeta, a natureza e as criaturas. A destruição do meio ambiente deve-se à arrogância de um ser humano, que se sente dono», pode ler-se.

Sabera Ahmadi fugiu do Afeganistão e foi a voz deste Apelo
O texto abordou o impacto da pandemia de Covid-19 e realçou as consequências de uma sociedade «do desperdício e da exploração, que vive para si e ignora o outro». «Que Deus nos ajude a reconstruir a família humana comum e a respeitar a Mãe Terra. Em frente ao Coliseu, símbolo de grandeza mas também de sofrimento, reafirmamos com a força da fé que o nome de Deus é a paz», conclui o apelo conjunto.

O encontro internacional, com participantes de 40 países, decorreu desde quarta-feira, em quatro fóruns dedicados ao diálogo, à paz, ao ambiente e às gerações mais jovens, com a participação, entre outros, do arcebispo de Cantuária, Justin Welby, primaz da Igreja Anglicana; do cardeal português D. José Tolentino Mendonça, arquivista e bibliotecário da Santa Sé; ou da conselheira especial do Secretário-Geral da ONU, Jeffrey Sachs.

A reportagem em Roma é fruto de uma parceria estabelecida entre a Agência Ecclesia, a Família Cristã, o Diário do Minho, a Associação de Imprensa Cristã. 
 
Texto e fotos: Ricardo Perna

 
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