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Papa e líderes religiosos contra uma «crise ecológica sem precedentes»
04.10.2021
O Papa e vários líderes religiosos mundiais assinaram hoje um apelo conjunto para travar as alterações climáticas, denunciando uma «crise ecológica sem precedentes», num encontro que já tinha sido noticiado há meses pela Família Cristã. «A COP26 de Glasgow é urgentemente chamada a oferecer respostas eficazes à crise ecológica sem precedentes e à crise de valores em que vivemos e, assim, dar uma esperança concreta às gerações futuras: queremos acompanhá-la com o nosso empenho e a nossa proximidade espiritual», referiu Francisco, num discurso entregue, no Vaticano, aos participantes no encontro ‘Fé e Ciência: Rumo à COP 26’.


A iniciativa reuniu líderes religiosos e cientistas em volta de um apelo dirigido aos participantes da COP26, em novembro deste ano, na Escócia.

O Papa começou por agradecer a presença dos vários responsáveis, sublinhando o desejo de um «diálogo profundo» entre as religiões e com os peritos em ciência. Francisco acabaria depois por entregar o seu discurso aos participantes, por escrito, um texto onde destacava a «interligação» entre as pessoas e destas com a natureza. «Não se pode agir sozinho; é fundamental o empenho de cada um no cuidado dos outros e do ambiente, um empenho que leve à tão urgente mudança de rumo, que deve ser alimentada também pela própria fé e espiritualidade», afirmou o Papa, citado pela Agência Ecclesia.

O Papa alerta para a «cultura do descarte» e cita o apelo conjunto, no qual os signatários denunciam o que denominam como «sementes dos conflitos» que afetam a humanidade: «ganância, indiferença, ignorância, medo, injustiça, insegurança e violência».

Francisco pede respostas para as mudanças climáticas, a desertificação, a poluição, a perda da biodiversidade, baseadas na «vocação ao respeito» de cada ser humano: «Respeito pela criação, respeito pelo próximo, respeito por si mesmo e respeito perante o Criador».

Entre os vários intervenientes estiveram o patriarca Bartolomeu, de Constantinopla (Igreja Ortodoxa); Justin Welby, arcebispo da Cantuária, primaz da Igreja Anglicana; o grande imã de Al-Azhar (Islão sunita), Ahmad Al-Tayyeb. Welby deixou um apelo à descarbonização da energia e ao «arrependimento» do sistema financeiro global, para que sirva como «fundamento para uma economia verde», com mudanças nas regras comerciais e fiscais.


A iniciativa nasceu por proposta das Embaixadas da Grã-Bretanha e da Itália junto da Santa Sé e foi realizada em conjunto com o Vaticano, sendo desenvolvida através de encontros virtuais mensais que começaram no início deste ano, entre líderes religiosos e cientistas.

O apelo conjunto assinado pelos líderes religiosos, no início do encontro no Vaticano, foi entregue a Alok Kumar Sharma, presidente designado da COP26, e a Luigi Di Maio, ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação Internacional da Itália.

Os participantes depositaram, simbolicamente, um pouco de terra num vaso em que estava plantada uma pequena oliveira, que será agora colocada nos Jardins do Vaticano.

O Papa já manifestou a sua intenção de participar na conferência mundial da ONU sobre alterações climáticas, deslocando-se a Glasgow, algo que a Família Cristã já havia antecipado há alguns meses.

 
Texto: Ricardo Perna (com Agência Ecclesia)
Fotos: Vatican Media
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