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Papa fala de um Deus que não vê «condenações», mas sim «filhos»
25.01.2019
O Papa Francisco esteve esta sexta-feira no Centro Correcional de Menores Las Garzas de Pacora para uma celebração penitencial com 167 jovens reclusos que ali estão detidos. Lá, o Papa confessou 9 jovens, acompanhado pelo arcebispo do Panamá, D. José Domingo Ulloa Mendieta, e pelo capelão do centro correcional, que confessaram mais jovens.


Na mensagem que deixou aos jovens reclusos, o Papa Francisco criticou os que constroem «um muro invisível que faz pensar que, marginalizando, separando e isolando resolver-se-ão, magicamente, todos os problemas», em mais uma referência à expressão muros, que tem sido muito utilizada em outras intervenções do Santo Padre nesta Jornada Mundial da Juventude, no que pode ser entendido como uma referência à intenção do presidente Donald Trump de construir um muro para impedir a imigração ilegal do México para os Estados Unidos.
 
Francisco considerou que a sociedade que opta por levantar esses muros, «limitando-se a criticar e murmurar, entra num círculo vicioso de divisões, censuras e condenações; entra numa conduta social de marginalização, exclusão e oposição tal que leva a dizer irresponsavelmente como Caifás: “Convém que morra um só homem pelo povo, e não pereça a nação inteira” (Jo 11, 50). E, normalmente, a corda quebra pelo ponto mais fraco: o dos mais frágeis e indefesos», apontou.
 
Neste sentido, o Papa disse que, contra a «cultura do adjetivo», é preciso «ir ao nome da pessoa» e conhecer o que cada um carrega no seu coração. Por isso, sugeriu aos jovens reclusos que experimentassem «o olhar do Senhor, que vê, não um rótulo ou uma condenação, mas filhos».
 
«A alegria e a esperança do cristão – de todos nós, também do Papa – nasce de ter experimentado alguma vez este olhar de Deus que nos diz: tu fazes parte da minha família e não posso abandonar-te às intempéries, não posso perder-te pelo caminho, estou contigo aqui. Aqui? Sim, aqui. Nasce de ter sentido – como partilhaste tu, Luís – que, naqueles momentos em que tudo parecia ter acabado, algo te disse: Não! Não está tudo acabado, porque tens uma finalidade grande que te permite entender que Deus Pai estava e está com todos nós e nos dá pessoas para caminhar connosco e ajudar-nos a alcançar novas metas», contou o Papa.
 
É por isto que o Papa considera que «uma sociedade é fecunda quando consegue gerar dinâmicas capazes de incluir e integrar, assumir e lutar para criar oportunidades e alternativas que deem novas possibilidades aos seus filhos, quando se preocupa por criar futuro com comunidade, instrução e trabalho». O Papa pediu que todos, jovens reclusos, autoridades e outros responsáveis se empenhem a lutar «sem cessar por encontrar caminhos de inserção e transformação».
 
No final da sua intervenção, muito aplaudida, uma das responsáveis do centro falou ao Papa para lhe agradecer. «Obrigado por lhes confirmar que Deus os ama e que é possível um futuro sem transgressões e violência. Obrigado por nos recordar que somos todos iguais e que, para regressarmos ao caminho de Jesus, você nos acompanha», defendeu.
 
Depois da celebração, o Papa regressou de helicóptero à Nunciatura Apostólica e vai agora preparar-se para participar, à noite, na Via Sacra com os jovens, outro dos momentos altos das Jornadas.

 
Texto: Ricardo Perna
Foto: Jornada Mundial da Juventude
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