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​Papa pede que Maria livre o mundo da «ameaça nuclear»
23.03.2022
O Vaticano publicou hoje o Ato de Consagração que Francisco e todos os bispos do mundo que a ele se unam irão ler no próximo dia 25, assim como uma carta do Papa a todos os bispos, pedindo que se juntem a este «gesto da Igreja universal». «Nesta hora escura, a Igreja é fortemente chamada a interceder junto do Príncipe da Paz e a fazer-se próxima a quantos pagam na própria pele as consequências do conflito», escreve o Papa, numa oração que foi traduzida pelo Vaticano em 35 línguas.

 
O Ato de Consagração, que irá ser proclamado por volta das 18h30 de Roma (17h30 em Portugal), será precedido de uma «Celebração da Penitência» na Basílica de S. Pedro, que terá início pelas 17h00, segundo informações do Vaticano.
 
Na oração que irá proclamar, o Papa reconhece que o mundo perdeu «o caminho da paz». «Adoecemos de ganância, fechamo-nos em interesses nacionalistas, deixamo-nos ressequir pela indiferença e paralisar pelo egoísmo» e, em virtude disso, «perdemos a humanidade, malbaratamos a paz» e temos «necessidade urgente da vossa intervenção materna».
 
A Maria, Francisco pede que apresse a intervenção de Jesus, como quando o fez nas bodas de Caná da Galileia, para que preserve «o mundo da ameaça nuclear» e que desperte «em nós a necessidade de amar».
 

Por isso acolhei, ó Mãe, esta nossa súplica:
Vós, estrela do mar, não nos deixeis naufragar na tempestade da guerra;
Vós, arca da nova aliança, inspirai projetos e caminhos de reconciliação;
Vós, «terra do Céu», trazei de volta ao mundo a concórdia de Deus;
Apagai o ódio, acalmai a vingança, ensinai-nos o perdão;
Libertai-nos da guerra, preservai o mundo da ameaça nuclear;
Rainha do Rosário, despertai em nós a necessidade de rezar e amar;
Rainha da família humana, mostrai aos povos o caminho da fraternidade;
Rainha da paz, alcançai a paz para o mundo.

 
É nestes termos que o Papa faz a consagração da Rússia e da Ucrânia, num ato que «realizamos com confiança e amor», e onde se pede que «fazei que cesse a guerra, providenciai ao mundo a paz».

 
Bispos de todo o mundo juntam-se ao Papa
 
Francisco escreveu a todos os bispos e pediu que se juntem a ele, convocando ainda «os sacerdotes, os religiosos e os outros fiéis para a oração comunitária nos lugares sagrados, no dia de sexta-feira 25 de março, de modo que o santo Povo de Deus faça, de modo unânime e veemente, subir a súplica à sua Mãe».
 
O cardeal Konrad Krajewski, enquanto legado pontifício, estará em Fátima para proferir a consagração em simultâneo com o Papa, em Roma, num momento ao qual se juntarão todos os bispos portugueses, conforme já indicado pela Conferência Episcopal Portuguesa (CEP). Segundo o Santuário de Fáitma, na Capelinha das Aparições, às 16h00, terá lugar a recitação do Terço meditado, e às 17h30 será recitado o ato de consagração, ao mesmo tempo que o Papa o estará a fazer na Basílica de S. Pedro (há uma hora de diferença entre Portugal e Itália). Os mistérios serão recitados não só nas línguas oficiais do Santuário, como habitual, mas também nas línguas ucraniana e russa, adiantou fonte do Santuário de Fátima à Família Cristã.
 
De toda a Igreja espalhada pelo mundo têm surgido ecos da adesão ao pedido do Papa. Desde logo, da própria Ucrânia, onde os bispos irão proclamar esse ato de consagração nos três santuários católicos dedicados a Nossa Senhora de Fátima que existem no país.
 
Segundo informações enviadas à Família Cristã, na diocese de Lviv, o ato de consagração será proferido por D. Mieczyslaw Mokrrzycki em Krysovychi, na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, a 60 km da cidade. Na diocese de Kamyanets-Podilskyi, D. Leon Dubrawski proferirá a consagração em Mackivcy, na província de Khmielnicky, e na diocese de Kyiv-Zhytomyr, D. Aleksander Jazlowiecki, bispo auxiliar, estará em Dovbusha, na província de Zhitomir, para fazer a mesma consagração, todos às 18h00 locais, em simultâneo com o Papa em Roma.

Em Lviv milhares de peregrinos têm ido rezar junto da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima 
Na Austrália, onde, em virtude da diferença horária, o ato de consagração ocorrerá às 5 da manhã, o presidente da conferência episcopal, D. Mark Coleridge, já anunciou que se iriam juntar em oração, e pediu ao povo australiano que dedique parte do dia 25 «indo à missa, rezando com família e amigos, em oração silenciosa na igreja paroquial ou de qualquer forma que vos seja possível».
 
A Comissão dos Episcopados Católicos da União Europeia (COMECE) também acolheu o convite do Papa para se unirem em oração pela paz e consagração da Rússia e Ucrânia. «De Bratislava, onde se realiza a terceira edição dos Dias Sociais Católicos Europeus, acolhemos com alegria o convite do Papa Francisco aos bispos de todo o mundo e seus sacerdotes para se unirem a ele na oração pela paz e na consagração e entrega da Rússia e Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria», pode ler-se em comunicado enviado à Agência Ecclesia.
 
No documento os bispos revelam que, «de coração partido», ouvem as «vozes daqueles que sofrem com a loucura da guerra» e são tocados, ao mesmo tempo «pela solidariedade de um grande número de famílias e indivíduos que oferecem abrigo e assistência a quem precisa de proteção». «Os bispos europeus unem-se ao Papa Francisco no seu apelo urgente: silencie todas as armas», escreve.
 
Na Índia o cardeal Oswald Gracias, arcebispo de Mumbai, disse ao jornal Crux que seria «muito difícil» aos fiéis de acompanharem a consagração nas igrejas, em virtude da diferença horária, mas referiu que «todos os bispos se irão juntar» e que enviou uma carta a todos os sacerdotes a pedir que falassem sobre a consagração aos seus paroquianos e que guardassem 30 minutos de adoração ao Santíssimo no final de cada missa da tarde nesse dia.
 
Na Argentina, os bispos anunciaram que se irão juntar à consagração, que irá ter lugar às 13h00 locais, na Basília de Nossa Senhora de Lujan, padroeira da Argentina. O presidente da conferência episcopal irá presidir à eucaristia com uma prece especial «a pedir o dom da paz para estas nações e para o resto do mundo», de acordo com uma declaração citada pelo Crux.
 
Na Nova Zelândia, o secretário da conferência episcopal afirmou que «visitar uma igreja na próxima sexta-feira seria um sinal de solidariedade». «Em toda a Ucrânia, as pessoas estão a ser obrigadas a deixar as suas casas por causa da guerra. Deixar as nossas casas aqui em Aotearoa para irmos à nossa igreja local rezar neste dia especial seria mostrar solidariedade com as estas pessoas», disse D. Stephen Lowe.
 
Nos Estados Unidos da América, o cardeal Wilton Gregory vai presidir a uma eucaristia no Santuário Nacional da Imaculada Conceição, e estendeu o convite para que o corpo diplomático e membros do governo se possam juntar nessa celebração.

Nota: notícia atualizada às 14h33 com a informação de que o Terço na Caeplinha das Aparições será rezado também em ucraniano e russo e a indicação do núemro de línguas em que o Ato foi traduzido pelo Vaticano.

 
Texto: Ricardo Perna
Fotos: Arlindo Homem, Mariusz Krawiec
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