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Papa pede um Sínodo com «capacidade de sonhar e esperar»
03.10.2018
O Papa Francisco deu início ao Sínodo dos Jovens com uma eucaristia celebrada na Praça de S. Pedro, com a participação de todos os padres sinodais e do povo de Deus.



Na homilia, o Papa falou do Sínodo como um «momento de graça» para a Igreja, que permita aos padres sinodais fazer «memória que possa despertar e renovar em nós a capacidade de sonhar e esperar». «Porque sabemos que os nossos jovens serão capazes de profecia e visão, na medida em que nós, adultos ou já idosos, formos capazes de sonhar e assim contagiar e partilhar os sonhos e as esperanças que trazemos no coração», referiu o Papa.

Francisco pede que este seja um Sínodo capaz de «ampliar horizontes, dilatar o coração e transformar as estruturas que hoje nos paralisam, separam e afastam os jovens». «Fruto de muitas das decisões tomadas no passado, os jovens chamam-nos a cuidar, com maior empenho e juntamente com eles, do presente e a lutar contra aquilo que de algum modo impede a sua vida de crescer com dignidade. Pedem-nos e exigem-nos uma dedicação criativa, uma dinâmica inteligente, entusiasta e cheia de esperança, e que não os deixemos sozinhos nas mãos de tantos traficantes de morte que oprimem a sua vida e obscurecem a sua visão», referiu o Papa na sua homilia.
 
O Papa não quer que prevaleça a lógica da «auto-preservação», e por isso alerta para que os padres sinodais não percam «de vista a missão a que nos chama a fim de apostar num bem maior que será de proveito para todos nós». «O dom da escuta sincera, orante e, o mais possível, livre de preconceitos e condições permitir-nos-á entrar em comunhão com as diferentes situações que vive o povo de Deus. Ouvir a Deus, para escutar com Ele o clamor do povo; ouvir o povo, para respirar com ele a vontade a que Deus nos chama», disse o Papa, citando a sua própria mensagem na vigília de oração preparatória do Sínodo da Família, em 2014.
 
Uma atitude que, diz Francisco, pode defendê-los da «tentação de cair em posições moralistas ou elitistas, bem como da atração por ideologias abstratas que nunca correspondem à realidade do nosso povo».
 
Falando diretamente aos padres sinodais, o Papa pediu que recordassem a mensagem dos padres conciliares aos jovens no final do Concílio Vaticano II, muitos dos quais hoje ali presentes como bispos e cardeais. «É em nome deste Deus e de seu Filho Jesus que vos exortamos a alargar os vossos corações a todo o mundo, a escutar o apelo dos vossos irmãos e a pôr corajosamente ao seu serviço as vossas energias juvenis», concluiu.
 
Um Sínodo totalmente dedicado aos jovens
 
O Vaticano acolhe a partir de hoje a assembleia do Sínodo dos Bispos dedicada aos jovens, marcada por novidades na sua preparação, como um inquérito online ou a reunião pré-sinodal, e no seu desenvolvimento.
 
A 15ª assembleia geral ordinária do Sínodo dos Bispos, com o tema ‘Os jovens, a fé e o discernimento vocacional’, decorre de hoje a 28 de outubro, por decisão do Papa Francisco.
 
O encontro conta pela primeira vez com a presença de dois bispos católicos da China, após o acordo provisório entre a Santa Sé e Pequim que visa regularizar a situação da comunidade eclesial no país asiático.
 
Este é também a primeira assembleia que decorre com o novo enquadramento jurídico determinado pelo Papa, após a publicação da constituição apostólica ‘Episcopalis Communio’ (Comunhão Episcopal), que reforça o papel do Sínodo dos Bispos, sublinhando a importância de continuar dinâmica do Concílio Vaticano II.

 
A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) está representada pelos presidentes das Comissões que acompanham Pastoral Juvenil e Vocações: D. Joaquim Mendes – bispo auxiliar de Lisboa e presidente da Comissão Episcopal do Laicado e Família – e D. António Augusto Azevedo – bispo auxiliar do Porto e presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios.
 
Na preparação para este encontro consultivo de representantes dos episcopados católicos, o Vaticano promoveu um questionário online e uma reunião pré-sinodal, com jovens de várias confissões religiosas, em março de 2018, acompanhada nas redes sociais por 15 mil pessoas.
 
Francisco preside esta manhã à Missa inaugural, na Praça de São Pedro, seguindo-se, de tarde, a sessão de abertura dos trabalhos, com uma oração e a saudação inicial do pontífice.
 
A assembleia sinodal conta com 267 representantes dos episcopados católicos, além de especialistas e convidados, entre eles 34 jovens, com idades dos 18 aos 29 anos.
 
O documento de trabalho, divulgado em junho, defende uma pastoral vocacional que ultrapasse a ideia de “recrutamento” de padres e religiosas.
 
O texto questiona uma «visão redutora do termo vocação», que cria um «forte preconceito nos jovens, os quais veem na pastoral vocacional uma atividade destinada exclusivamente ao ‘recrutamento’ de sacerdotes e religiosos».
 
O ‘guião’ da assembleia do Sínodo dos Bispos sublinha a preocupação das novas gerações com a implementação da «tolerância zero» para abusos sexuais e económicos na Igreja Católica.
 
O mesmo texto assume uma cisão com os jovens em questões ligadas à sexualidade e sublinha necessidade de trabalhar uma visão cristã do corpo, com referência inédita a jovens LGBT.
 
Desemprego, redes sociais, pobreza e educação entre as questões apontadas pelo documento de trabalho, que contou com mais de 100 mil respostas a questionário online
 
Para sábado está previsto um encontro de festa entre os participantes do Sínodo de 2018, dedicado às novas gerações, e os jovens, no Vaticano.
 
Texto: Ricardo Perna (com Agência Ecclesia)
Fotos: Ricardo Perna e Vatican News
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