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Papa recebe indígenas do Canadá para «ouvir testemunhos»
23.03.2022
O Papa Francisco vai receber no Vaticano «delegações dos povos indígenas do Canadá, acompanhados dos seus bispos, para ouvir os testemunhos», no âmbito do escândalo que rebentou em 2015, quando, após sete anos de pesquisa, a Comissão de Verdade e Reconciliação do Canadá divulgou um relatório sobre escolas residenciais, revelando que, entre 1890 e 1996, mais de 3 mil crianças morreram por causa de doenças, fome, frio e outros motivos.

 
Entre estas, destacou-se a descoberta de 215 restos mortais de crianças numa instituição católica. «As autoridades políticas e religiosas do Canadá devem continuar a colaborar com determinação para fazer luz sobre este triste acontecimento, empenhando-se humildemente num caminho de reconciliação e cura», apelou o Papa na altura.
 
Os encontros ocorrerão à porta fechada de 28 a 31 de março, e terminarão no dia 1 de abril num encontro geral do Papa com o conjunto das delegações na Sala Clementina do Palácio Apostólico, no Vaticano.
 
São três as delegações que irão até ao Vaticano. No dia 28 o Papa terá encontros com a delegação Métis e com a delegação Inuit, e no dia 31 está previsto o encontro com a delegação Primeiras Nações, tudo antes do encontro final que decorrerá no dia 1 de abril.
 
O encontro do Papa com as delegações estava previsto para dezembro do ano passado, mas foi adiado por causa da pandemia.

Em outubro do último ano, o Vaticano anunciou que o Papa aceitou um convite da Conferência Episcopal do Canadá para visitar este país, inserida no processo de «reconciliação» com os povos indígenas.
 
Um mês antes, a Conferência Episcopal do Canadá publicou um «pedido inequívoco de desculpas» aos povos indígenas do território, numa nota em que aborda envolvimento histórico da Igreja Católica nas escolas residenciais. «Juntamente com as entidades católicas que estiveram diretamente envolvidas no funcionamento das escolas residenciais e que já pediram as suas sinceras desculpas, nós, os bispos católicos do Canadá, manifestamos o nosso profundo remorso e apresentamos um pedido inequívoco de desculpas», referem os responsáveis católicos.
 
Os pedidos de desculpa são posteriores às descobertas das centenas de sepulturas anónimas junto destas escolas residenciais indígenas, várias das quais pertencentes à rede de escolas administrada pela Igreja Católica, destinadas à «reeducação» de crianças indígenas, num projeto que contava com o apoio do governo canadiano.
 
Além das mortes a lamentar, os bispos referiram ainda que o sistema implementado nestes internatos, nos séculos XIX e XX, «levou à supressão das línguas, cultura e espiritualidade autóctones, sem respeitar a rica história, tradições e sabedoria dos povos indígenas».

 
Texto: Ricardo Perna (com Agência Ecclesia)
Foto: Vatican Media
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