Precisa de ajuda?
Faça aqui a sua pesquisa
Vida Cristã
Pode ser-se cristão e maçon?
25.09.2018
A maçonaria, sociedade filantrópica? Pode ser-se cristão e maçon?
Por Mons. Feytor Pinto

Fala-se muito da maçonaria e da sua influência nos meios culturais e políticos. Mas, afinal, o que é a maçonaria? Fundada em Inglaterra em 24 de junho de 1717 pelos pastores protestantes ingleses James Anderson e J. T. Desaguliers, a maçonaria tem uma história de mais de 300 anos. Surgida no quadro do Iluminismo, veio a conhecer projeção com os ideais da Revolução Francesa e com a revolução industrial. Em Portugal, após a implantação da República, a maçonaria ganhou influência com a célebre “carbonária”, a qual infligiu duros golpes à Igreja Católica. Nascida como sociedade fraternal que admite homens livres e de bons costumes, sem distinção de raça e religião, ideário político ou posição social, a maçonaria faz determinadas exigências aos candidatos a membros. Parece positivo exigir que acreditem num princípio criador, tenham boa índole e respeitem a família, possuam um espírito filantrópico e tenham o firme propósito de buscar sempre a perfeição. Porém, faz outras exigências que impossibilitam a relação da maçonaria com a Igreja Católica: em vez de Deus, fala do Grande Arquiteto do Universo; na pós-morte, diz que o destino das almas é o Oriente Eterno, a Grande Loja Celestial; afirma-se distante da fé cristã, embora não faça referência a qualquer religião ou crença e, em princípio, sejam permitidos muçulmanos, católicos, espíritas e outros na mesma loja maçónica.



A maçonaria tem como membros os maçons ou francos-maçons, conforme sejam de expressão inglesa ou francesa. Maçons eram os pedreiros que, após a queda do Império Romano, se dedicavam à construção de castelos e muralhas e que, na Idade Média, trabalhavam a pedra para erguer mosteiros e catedrais. Assim, através dos séculos, terá sempre havido organizações do tipo da maçonaria. Depois da maçonaria primitiva e da maçonaria operativa medieval, surge no século xviii aquela que ainda hoje persiste: a maçonaria especulativa. Sendo o pedreiro um construtor, a maçonaria pede aos seus membros que sejam construtores de uma cidade nova, assente nos grandes valores da fraternidade, da liberdade e da igualdade, valores que vieram a ser consagrados na Declaração Universal dos Direitos Humanos. O sigilo muito forte, mantido pela maçonaria, talvez enraíze nos antigos segredos profissionais que, para salvaguarda da originalidade da arte da construção, não deviam cair no domínio público.

Os símbolos da maçonaria são o livro, o triângulo, o compasso e o martelo. O livro inclui todos os princípios e as exigências que caracterizam uma sociedade filantrópica, como a maçonaria pede. Os outros três símbolos são os instrumentos essenciais à construção que os pedreiros realizavam com muitos pormenores. O triângulo tem na base dois ângulos que significam o ser humano e o Grande Arquiteto do Universo. O ângulo superior refere-se à Grande Loja Celestial. O compasso é o sinal da exigência “arquitetónica” na construção da cidade nova e o martelo significa a dureza do trabalho de quantos investem nesta construção. Como se pode verificar, há elementos positivos característicos de qualquer associação de bem-fazer. A carga negativa está na ânsia incontida de domínio, recusando qualquer outra dependência para investir toda a capacidade na transformação da sociedade em que se vive. Daí a exclusão das igrejas e a constante preocupação pelo poder público, numa tentativa de controlo sobre os governos e as instituições.

Em Portugal, foi em 1802 que Gomes Freire de Andrade fundou o Grande Oriente Lusitano, inspirado na maçonaria inglesa e não na franco-maçonaria. A influência francesa, jacobina, acontecerá mais tarde com o general Junot, durante a sua estada em Portugal e a sua pretensão de dirigir esta grande loja. O Grande Oriente Lusitano integra-se na corrente liberal maçónica, defendendo a liberdade de consciência e a recusa radical do dogmatismo. Esta loja maçónica influenciou a revolução liberal de 1820, a abolição da pena de morte em 1867 e a implantação da República em 1910. Foi vista como uma força motriz do anticlericalismo dos liberais. Teve momentos de feroz perseguição às alas conservadoras e reacionárias da sociedade. Inspirou-se aqui uma certa perseguição à Igreja Católica. Compreende-se, assim, a recusa da maçonaria desenvolvida pelo Estado Novo durante mais de 40 anos. Em Portugal, há hoje quatro lojas maçónicas com diferentes características. Se algumas delas são profundamente antirreligião, recusando a ideia de Deus e de Jesus Cristo seu Filho, outras há que respeitam profundamente a fé e a religião de cada um.

Pergunta-se muitas vezes se um católico pode ser membro da maçonaria. É indiscutível que um cristão não deverá filiar-se numa loja maçónica que recuse a ideia de Deus, rejeite a divindade de Jesus e não aceite a fé cristã com os normais pontos doutrinais expressos no Credo. Um são discernimento aconselha à não pertença de um católico a qualquer loja maçónica.
 
Continuar a ler