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Pontificado de «proximidade e ternura»
12.03.2018
Quando afirmou, na homilia do passado dia 30 de janeiro, que a proximidade e a ternura são as atitudes que devem marcar todos os pastores, à semelhança de Jesus, o Papa Francisco indicava o mote com que tem procurado pautar o pontificado que, neste mês, completa cinco anos. Logo na primeira Missa Crismal, duas semanas após a eleição, exortou os sacerdotes a saírem para as periferias e a serem «pastores com cheiro de ovelha».

Jorge Mario Bergoglio procurou sempre revestir a sua vida de Evangelho. Respeitando dogmas e normas, seguiu os princípios e os valores evangélicos sem pisar ninguém, mesmo que, por vezes, tivesse de ser mais assertivo quando estavam em causa o respeito e a dignidade da pessoa humana.

Sem pretensões de perfeccionismo, reconhecendo-se pecador, necessitado de orações como qualquer comum dos mortais, Francisco conquistou a simpatia geral desde o primeiro instante em que, no entardecer de 13 de março de 2013, saudou os presentes com um simples «irmãos e irmãs, boa-noite», fazendo-se sentir próximo como um irmão mais velho.

«A minha gente é pobre e eu sou um deles» afirmou o Papa Francisco para explicar o facto de viver, como arcebispo de Buenos Aires, num apartamento, preparando sozinho as refeições, e, no seguimento dessa ideia, a opção de viver num quarto da Casa de Santa Marta, abdicando dos aposentos papais, de forma a poder também, assim, conviver mais com os membros do clero e os funcionários.

Tem marcado as suas intervenções com apelos constantes à misericórdia, à coragem e ao abrir de portas para que a Igreja seja mais inclusiva. Proclamou um Ano Santo dedicado a este tema e, na sua conclusão, recordou que «a misericórdia não pode ser um parêntesis na vida da Igreja». Reconheceu que o pior que pode acontecer na Igreja, considerando até uma “verdadeira catástrofe”, é o que o teólogo francês Henri-Marie de Lubac apelida de “mundanidade espiritual”, ou seja, “colocar-se a si mesma no centro” numa atitude “narcisística”.

Com uma fé radicada na Palavra de Deus, na fidelidade ao Concílio Vaticano II, o Papa Francisco faz o seu percurso acompanhado pelos homens e mulheres de hoje, dando voz aos mais fracos, às vítimas da violência, da fome e do egoísmo, não se coibindo, por incapacidade da Europa, em apelidar o Mediterrâneo de “cemitério de imigrantes”. Denuncia as vítimas do capitalismo selvagem, da corrupção e de toda a espécie de tráfico humano ou de armas, continuando a batalha da tolerância zero à pedofilia.

Promulgou documentos valiosos, como as duas Exortações Apostólicas Evangelii gaudium (24 de novembro de 2013) e Amoris laetitia (19 de março de 2016), assim como a Encíclica Laudato sì (24 de maio de 2015). Se os problemas da família continuam bem vivos no coração do Pontífice, este ano dirige as atenções para os jovens, dedicando, também, a eles o Sínodo dos Bispos que terá lugar em Roma, no próximo mês de outubro antecipado por uma reunião pré-sinodal a realizar de 19 a 24 de março.

O Papa Francisco vem desempenhando um magistério considerado revolucionário, intenso, na dedicação e atenção às pessoas, à Humanidade em geral e ao mundo que nos rodeia, procurando conduzir a Igreja, na fidelidade evangélica, sobre os trilhos percorridos pelos Apóstolos. Um trajeto que, cada vez mais, se torna irreversível ao sabor do ímpeto do Espírito que, como o vento, sopra onde e quando quer (Jo 3,8).