Precisa de ajuda?
Faça aqui a sua pesquisa
Vida Cristã
Porque se chama viagens apostólicas às viagens do Papa?
06.09.2019
Monsenhor Vítor Feytor Pinto explica
Quando Jesus Cristo Se despediu dos seus discípulos deu-lhes um mandato: «Ide por todo o mundo anunciar o Evangelho a todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.» E acrescentou ainda, «estarei convosco todos os dias até ao fim dos tempos» (Mt 28,19-20). Depois, Jesus pediu aos Apóstolos que descessem a Jerusalém e ali fossem suas testemunhas. Por esta narrativa compreende-se que todos os cristãos têm o dever de anunciar Jesus Cristo Ressuscitado. Os Apóstolos fizeram-no logo depois do Pentecostes. No primeiro século, a comunidade de Jerusalém enviou-os para anunciarem Jesus Cristo Ressuscitado a todos os povos.

A Igreja, desde o início, definiu-se como missionária, acompanhando os movimentos sociais ou abrindo novos mundos quando a perseguição acontecia. Foi assim também em Portugal:
  • António de Lisboa, motivado pelos mártires de Marrocos, viajou para África e logo depois para o norte de Itália, indo até França.
  • Francisco Xavier seguiu para o Oriente, evangelizando as Índias e chegando mesmo ao Japão.
  • As caravelas dos Descobrimentos levavam consigo missionários. Foi o caso da evangelização do Brasil com José Anchieta, António Vieira e outros companheiros.
  • Quando o marquês de Pombal expulsou os jesuítas, estes fizeram viagens para África e para a Ásia, sendo ali grandes evangelizadores.
  • Em meados do séc. XIX, em 1834, houve a expulsão de todas as ordens religiosas. Maravilhosamente estes “missionários” viajaram anunciando o Evangelho aos povos de Angola, Moçambique e até Timor. 

O segredo dos últimos Papas foi descobrir as facilidades da viagem como processo de evangelização. Até Pio XII a Igreja estava fechada no Vaticano. São João XXIII provocou uma revolução quando, ao abençoar o novo aeroporto de Roma, Fiumicino, disse: «Deste lugar os meus sucessores irão partir ao encontro do Mundo para anunciar Jesus Ressuscitado.» De facto, esta profecia do Bom Papa João teve efeito:
  • São Paulo VI viajou até à Terra Santa e a alguns outros lugares da Europa. Esteve até em Fátima, em maio de 1967, no cinquentenário das aparições.
  • São João Paulo II realizou 169 viagens apostólicas. Com essas viagens contribuiu para a unificação da Europa, mais justiça no Brasil, e a solução de tantos problemas dos países que visitava. Foi uma profecia clara a desafiar o mundo para uma grande renovação no respeito pela dignidade humana e pela liberdade dos filhos de Deus. Esteve três vezes em Portugal e em Fátima, e a última das quais para beatificar os pastorinhos.
  • Bento XVI viajou para dezenas de países onde a sua inteligência luminosa redefiniu a fé, a esperança e o amor dos cristãos. A sua viagem a Portugal teve momentos de grande brilhantismo, como foi o caso do seu encontro com os intelectuais do país.
  • O Papa Francisco, seguindo o caminho dos seus antecessores, tem multiplicado as suas viagens apostólicas, preocupado sobretudo com as famílias e os jovens, os emigrantes e os refugiados, e agora a ecologia para o bem da Casa Comum.Todas estas viagens apostólicas revelam a nova metodologia de levar o Evangelho a toda a parte, associando as novas tecnologias a esta forma de profetizar.
Estas viagens apostólicas têm este nome porque foram os Apóstolos que as iniciaram segundo o mandato de Jesus. Algumas delas tiveram repercussão não apenas na linha da fé, mas também na perspetiva da maior dignidade do ser humano, na liberdade reconhecida a todos os homens, na justiça que é indiscutível ser necessária no mundo e sobretudo no amor revelado na preocupação pelo ecumenismo e pelo diálogo entre todas as religiões. Assim, a Igreja contribui para a construção do mundo novo.
 

 
Foto: Vatican News (Moçambique 2019)

Excerto de Diálogo com o Padre publicado na edição de setembro de 2019 da FAMÍLIA CRISTÃ.
Continuar a ler