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Portugal vai ter um novo santo
08.07.2019
O Papa Francisco alargou o culto litúrgico ao Beato Bartolomeu dos Mártires a toda a Igreja e declarou a sua inscrição no catálogo de Santos. A notícia foi avançada pela Santa Sé e publicada online depois da audiência de Angelo Becciu, Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, com o Papa Francisco. «Durante a Audiência, o Sumo Pontífice aprovou os votos favoráveis dos Eminentíssimos e Excelentíssimos membros da Congregação e ampliou o culto litúrgico em homenagem ao Beato Bartolomeo dei Martiri à Igreja Universal, da Ordem dos Frades Pregadores do Arcebispado de Braga, nascido em Lisboa (Portugal) a 3 de Maio de 1514 e falecido em Viana do Castelo (Portugal) a 16 de Julho de 1590, inscrevendo-o no catálogo de Santos», pode ler-se no site da Santa Sé.

 
No passado dia 20 de Janeiro, o Papa Francisco, em audiência à Congregação para a Causa dos Santos, tinha concedido a autorização necessária à dispensa do milagre formalmente demonstrado para a declaração de santidade do Beato Bartolomeu dos Mártires.
 
Segundo apurou a Agência ECCLESIA, na sequência da decisão do Papa não haverá uma cerimónia de canonização, mas a leitura do Decreto que inscreve Frei Bartolomeu dos Mártires no Livro dos Santos. A cerimónia deverá ter lugar na Arquidiocese de Braga, no dia 10 de novembro, data em que começa a Semana dos Seminários.
 
Numa carta pastoral dedicada a este momento, publicada na página online da Arquidiocese de Braga, D. Jorge Ortiga saúda a decisão do Papa Francisco, depois de «um longo processo», e destaca D. Frei Bartolomeu dos Mártires como alguém que como santo irá continuar a apelar «a uma vida de coerência evangélica».
 
Um aspeto que o atual arcebispo bracarense considera fundamental num tempo em que a Igreja Católica enfrenta vários desafios e carece de uma nova «reforma». «A crise entrou na Igreja. Bartolomeu dos Mártires viveu um período idêntico e soube, como poucos, ler e ouvir os sinais dos tempos, empenhando-se na procura de respostas adequadas», salienta D. Jorge Ortiga, que recordou ainda o caráter firme e íntegro do antigo bispo que tomou conta dos destinos de uma região que hoje integra não só a Arquidiocese de Braga mas também as dioceses de Viana do Castelo, Bragança-Miranda e Vila Real. «O seu compromisso com a mudança na Igreja não foi teórico nem retórico. Deu exemplo e exigiu, no seu ministério apostólico, um novo estilo de ser Igreja e um novo modo de encarar o quotidiano cristão. Foi um autêntico reformador. Creio que, nele, encontraremos a confirmação de que a renovação da Igreja não só apenas necessária mas possível e urgente», aponta D. Jorge Ortiga.

 
O bispo de Bragança-Miranda, D. José Cordeiro, declarou a sua «profunda alegria» pelo anúncio da canonização de Frei Bartolomeu dos Mártires, numa mensagem onde já pede a intercessão do novo santo português, a favor da sua diocese e de todas as comunidades católicas. «Bartolomeu dos Mártires, rogai por nós», escreve D. José Cordeiro, num texto enviado à Agência ECCLESIA onde sublinha que D. Frei Bartolomeu dos Mártires (1514 -1590) «encarnou o perfil de bispo ideal» que ele próprio defendeu quando participou «no Concílio de Trento» e quando «escreveu entre tantas obras um livro intitulado Estímulo dos Pastores».
 
Uma obra que, recorda o bispo de Bragança-Miranda, se tornou uma peça de «referência» para a ação pastoral da Igreja Católica, e que continha um ideal de pastor que D. Frei Bartolomeu dos Mártires cumpriu à risca na sua vida. «É um programa que abre à coragem da esperança e sublinha no coração do bispo: a caridade, a sabedora, a retidão e a justiça», frisa D. José Cordeiro, que destaca por exemplo as visitas pastorais que o novo santo português empreendeu junto das comunidades católicas.
 
Já a diocese de Viana do Castelo reagiu hoje com «profunda emoção e gratidão» ao anúncio da promulgação do decreto, por parte do Papa Francisco, para a canonização de D. Frei Bartolomeu dos Mártires, antigo bispo daquele território.
 
Em comunicado enviado este sábado à Agência ECCLESIA, o atual bispo de Viana do Castelo, D. Anacleto Oliveira, salienta uma ocasião de «graça» que deve também motivar uma maior «responsabilidade» da parte das comunidades católicas da região e de todo o país, no sentido de «se sentirem motivadas a seguir o seu exemplo a a se deixarem inspirar pela sua intercessão».
 
Também a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) saudou com «enorme alegria» o anúncio do Vaticano relacionado com a aprovação da canonização de D. Frei Bartolomeu dos Mártires. Numa nota enviada à Agência ECCLESIA, assinada pelo porta-voz da CEP, o padre Manuel Barbosa, os bispos portugueses destacam D. Frei Bartolomeu dos Mártires como um «grande modelo para a renovação da Igreja».
 
Finalmente, Marcelo Rebelo de Sousa, presidente português, congratulou-se com a canonização de Frei Bartolomeu dos Mártires e afirmou que o antigo arcebispo de Braga é um «exemplo» para os crentes e um «orgulho» para «todos os portugueses». «Um exemplo a seguir pelos crentes e um orgulho para todos os portugueses. É nesse sentido que o Presidente da República se congratula com a próxima canonização do Beato Frei Bartolomeu dos Mártires», escreveu Marcelo Rebelo de Sousa numa mensagem publicada na página da internet da Presidência da República. «A decisão de Sua Santidade o Papa Francisco, hoje anunciada, sublinha também a relevância para a Igreja Católica deste Arcebispo de Braga que contribuiu, no Concílio de Trento, para a evolução da própria Igreja», acrescenta Marcelo Rebelo de Sousa.
 
Bartolomeu dos Mártires foi declarado Venerável a 23 de Março de 1845, pelo Papa Gregório XVI e Beato, a 4 de Novembro de 2001, pelo Papa João Paulo II.
 
A 5 de Fevereiro de 2015, D. Jorge Ortiga entregou, em mãos, ao Papa Francisco um dossiê sobre a vida do antigo arcebispo de Braga e formulou o pedido de canonização equipolente (dispensa do milagre).
 
Texto: Ricardo Perna (com Agência Ecclesia)
Fotos: Wikimedia Commons
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