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Proteção da Intimidade: separar o privado do público
02.08.2019
O desenvolvimento da tecnologia trouxe, de um modo geral, muitos benefícios, mas trouxe também muitos riscos e perigos no que respeita aos direitos e liberdades pessoais, nomeadamente no relativo à privacidade, à intimidade, à integridade e à própria dignidade da pessoa humana.

Convém, antes de tudo, esclarecer que a dignidade humana tem que ver com a necessidade de separar: de um lado, o que diz respeito apenas à própria pessoa; e de outro, tudo aquilo que os outros poderão vir a saber ou conhecer sobre essa pessoa. Por outras palavras, separar o privado do público.

Uma coisa é certa, nenhuma pessoa pode nem deve estar exposta aos olhos de toda a gente com todos os holofotes virados para si. Todos nós, miúdos e graúdos, precisamos do nosso espaço íntimo enquanto pessoas que somos. Por isso, a intimidade é um conceito que está ligado à vida interior do ser humano, sendo que floresce exponencialmente na adolescência, exatamente porque os jovens incorporam nessa fase, a existência de um mundo exterior que vai além do seu mundo interior.

Nesta sociedade líquida em que vivemos, os nossos jovens adolescentes usufruem de uma enorme capacidade para procurar e processar dados e informação. São pessoas que pensam melhor com imagens do que com palavras, trabalham sobre os resultados, não gostam de processos porque os acham exaustivos, preferem ser reconhecidos pela sua criatividade e não tanto pelo seu trabalho, são pouco reflexivos, não têm muita paciência, a sua disponibilidade é quanto baste, vivem no momento, no aqui e agora, banalizam a sexualidade, menosprezam o valor da espera e concedem relativa importância ao pudor e à intimidade. E o grande problema surge quando, de alguma forma, os outros invadem ou eles próprios deixam, por razões equivocadas, que invadam esse espaço contra a sua vontade. Nesse momento, sem dúvida, colocam em perigo a sua intimidade e também a sua dignidade.

Socorrendo-me das palavras de Cabrera Paz «toda a pegada (digital) pode ser descoberta, todo o segredo pode ser exposto e toda a imagem publicada». Ora aí está. O problema não se circunscreve na tecnologia, mas sim no uso indevido da informação que outro ser humano lhe possa dar. Muitas vezes conteúdos de intimidade que deveriam permanecer no foro privado acabam por ser expostos nas redes sociais. Falo, por exemplo, dos afetos, dos sentimentos, da vida sexual e das informações relativas à saúde ou até qualquer outro aspeto reservado da vida de uma determinada pessoa ou da sua família.
Considero a privacidade como um tesouro que devemos proteger. É fundamental desde o primeiro momento em que nos conectamos que procuremos cuidar da nossa identidade digital. E os nossos adolescentes e jovens têm de o saber desde logo. Antes de se publicar algo nas redes sociais é necessário pensar se na realidade se quer mesmo que, qualquer pessoa veja essa imagem, essa mensagem ou esses dados. Há que avaliar as consequências desse ato. A esta ação chama-se atuar com prudência. Na verdade, uma pessoa prudente não põe em risco o seu bem-estar ou o dos outros, igualmente não põe em causa a sua saúde, a sua segurança, a sua estabilidade ou até mesmo o seu bom nome, como também não o faz aos outros. Uma pessoa prudente tenta evitar ter de lidar com situações imprevisíveis, anómalas e/ou constrangedoras. Sejamos, pois, todos, pais e filhos, cidadãos digitais prudentes.