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Proteger a biodiversidade ameaçada
03.05.2021
Um país como Portugal, em parte pelo seu atraso no desenvolvimento industrial mas também pela sua história e pelas suas características em termos de clima, relevo e distribuição da população, tem valores naturais únicos, isto é, uma enorme biodiversidade, que tem de ser preservada. Entre zonas de montanha, planícies e estuários, 23% do nosso território está classificado ao abrigo de legislação europeia através da denominada Rede Natura 2000 e/ou como área protegida (parque ou reserva natural, entre outros estatutos). De referir que Portugal possui neste momento 107 áreas classificadas no âmbito da Rede Natura 2000, dez das quais marinhas, sendo que 62 das áreas são Zonas de Proteção Especial (ZPE) destinadas à proteção das aves selvagens. Os chamados serviços dos ecossistemas destas áreas são muito importantes, desde o papel na gestão da água, a proteção dos solos, que também nos providenciam alimentos, à paisagem, ou às muitas espécies que vivem em equilíbrio em habitats únicos à escala europeia ou mesmo mundial e que fazem parte de todo um sistema terrestre que possibilita a vida humana.

Um relatório recente revelou que em Portugal se verificou um aumento das pressões e ameaças que pendem sobre os habitats. A proliferação de espécies exóticas invasoras, a agricultura e as alterações ao uso do solo (artificialização para urbanismo, indústria e turismo) constituem os principais fatores de degradação identificados. Ao nível das espécies, as espécies invasoras são a terceira maior ameaça, passando a liderar esta componente de avaliação às alterações do uso do solo, seguidas de muito de perto pela agricultura. Perante este cenário de degradação do estado de conservação de habitats e espécies, que é reflexo não só de décadas de desinvestimento público na melhoria do conhecimento do património natural e na conservação da natureza e da biodiversidade, é fundamental também cada um de nós valorizar e proteger o património que temos.

É prioritário conservar espécies como o lobo-ibérico, o saramugo, as aves necrófagas, as aves estepárias, os morcegos, os bivalves de água doce, a flora em perigo e as turfeiras e os respetivos habitats em que se inserem. Podemos ajudar muitas destas áreas começando por conhecê-las melhor e visitando-as quando tal for possível, de modo a estimularmos as atividades que nelas se desenvolvem, mas respeitando regras que nos deverão impedir, por exemplo, de passear sobre dunas litorais ou sair de caminhos devidamente marcados. Salvaguardar a biodiversidade de Portugal e do mundo é uma tarefa fundamental na herança que devemos transmitir às próximas gerações.