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Vida Cristã
Que valor tem a absolvição na missa?
19.12.2017
DEUS É AMOR, DEUS É PERDÃO
A melhor definição de Deus encontra-se na Carta de S. João. João, o discípulo amado de Jesus, diz que «Deus é Amor» (1Jo 4,8). De facto, foi por amor que Deus criou o Homem e lhe deu o mandato de crescer, multiplicar-se e dominar a terra (cf. Gn 1,26). Foi por amor que Deus amou tanto o mundo, que lhe deu o seu Filho, como diz Jesus na sua conversa com Nicodemos (cf. Jo 3,16). Foi por amor que Deus introduziu o ser humano na sua família, tornando-nos seus filhos adotivos, podendo mesmo chamar-lhe Pai (Abba). É ainda por amor que Deus vem ter com o Homem e faz nele sua morada (Jo 14,23).



Se Deus é amor, certeza repetida no dizer dos Papas e na tradição, Deus é perdão, é misericórdia, é presença constante na vida dos homens. Como diz o Papa Francisco, nos vários discursos do Ano da Misericórdia, «por muitos que sejam os nossos pecados, a misericórdia de Deus é maior». Com razão o Pe. Bernard Häring, teólogo do Concílio Vaticano II, dizia que «Deus perdoa sempre, os homens perdoam às vezes, a natureza é que não perdoa nunca». Deus, que é justiça, pedindo para todos tudo aquilo a que têm direito, é também perdão, acolhendo o pecador, compreendendo a sua fragilidade, aproximando-Se dele com uma ternura sem condições.

Há muitas formas de receber o perdão de Deus. É preciso ter sempre o coração preparado. Podem encontrar-se textos lindíssimos onde se vê o pecador ir ao encontro de Deus. Um livro antigo que conta a história de um monge eremita refere que aquele homem bom procura os caminhos do deserto, repetindo sempre a mesma fórmula: «Meu Deus, meu Deus, tem piedade de mim que sou um pobre pecador.» O livro é muito belo e tem o título de Quatro histórias de um peregrino russo. De facto, a simples situação do pecador é suficiente para que Deus revele o seu amor e o seu perdão.

Quando alguém, com o coração contrito, invoca o nome do Senhor e reconhece as suas faltas, Deus não lhe nega o seu perdão. Quantas e quantas pessoas, em momentos de grande provação e sem possibilidade de recorrer ao sacramento da Reconciliação, invocam o Senhor da Misericórdia. É claro que Deus vem ao seu encontro, para lhes dar todo o seu amor.

No início da Eucaristia, como no princípio de outros sacramentos, celebra-se sempre o Rito Penitencial. O Rito Penitencial é um momento de reconciliação com Deus, com os outros e até com a natureza. É um rito simbólico em que não há absolvição dos pecados, mas há uma atitude de simplicidade em que cada um se considera pecador. É um “sacramental” de incalculável valor, porque nele os cristãos preparam-se para escutar a Palavra de Deus com um coração purificado e dispõem-se também a celebrar a Festa do Pão, a Sagrada Eucaristia. As pequenas faltas do dia a dia são, então, perdoadas e a comunidade cristã está preparada para os grandes mistérios que se vão celebrar.
 
Só o sacramento da Reconciliação tem o perdão sob a forma de absolvição. A reconciliação é um sacramento em que o Senhor Se revela na sua grande misericórdia. O sacerdote que absolve o pecador é também pecador. Foi Jesus que na tarde da Ressurreição disse aos Apóstolos: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, eles serão perdoados.» Pedro, que era um pecador, recebeu o dom de perdoar. Os outros Apóstolos e discípulos que tinham abandonado Jesus na proximidade da sua morte também receberam o poder de perdoar os pecados. São as mãos de pecadores, os sacerdotes, que absolvem de todos os pecados, transmitindo na fé o dom misericordioso do Pai. O Sacramento da Reconciliação, no dizer do Papa Francisco, «não é uma câmara de tortura, mas a expressão maravilhosa do amor misericordioso de Deus». (EG 44)
Só no Sacramento da Reconciliação se recebe a absolvição de todos os pecados.
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