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«Queridos jovens, não sois o futuro, mas o agora de Deus»
27.01.2019
O Papa Francisco presidiu à eucaristia que encerrou a XXXIV Jornada Mundial da Juventude no Panamá, exortando os jovens a perceber que a sua missão é para ser feita nos dias de hoje, ao contrário do que lhes podem fazer crer em algumas comunidades.

 
O Papa avisou os jovens dos perigos de pensar que «a vossa missão, a vossa vocação, e até a vossa vida é uma promessa que vale só para o futuro, nada tem a ver com o vosso presente». «Como se ser jovem fosse sinónimo de “sala de espera” para quem aguarda que chegue o seu turno. E, enquanto este não chega, inventam para vós ou vós próprios inventais um futuro higienicamente bem embalado e sem consequências, bem construído e garantido com tudo “bem assegurado”», afirmou o Papa.
 
Como Jesus, de quem desconfiaram os amigos e vizinhos quando o ouviram falar na sinagoga, conforme a leitura do Evangelho do dia, o Papa sustenta que o mesmo pode acontecer aos jovens e às comunidades, que podem preferir um «Deus à distância, que não incomode, domesticado». «Nem sempre acreditamos que Deus possa ser tão concreto no dia-a-dia, tão próximo e real, e menos ainda que Se faça assim presente agindo através de alguém conhecido, como um vizinho, um amigo, um parente. Nem sempre acreditamos que o Senhor nos possa convidar a trabalhar e meter as mãos na massa juntamente com Ele no seu Reino de forma tão simples, mas incisiva», disse.
 
Esta desconfiança leva à «tentação» de domesticar a Palavra de Deus, quando os jovens que podem ser «profetas» não são levados a sério ou incentivados. «Assim, uma pessoa que nascera para ser profecia e anúncio do Reino de Deus acaba domesticada e empobrecida. Querer domesticar a Palavra de Deus é tentação de todos os dias».
 
Esta tentação, quando é levada a cabo, leva a que os adultos «adormeçam» os jovens. «Assim vos “tranquilizamos” e adormecemos para não fazerdes barulho, para não colocardes interrogativos a vós mesmos e aos outros, para não vos pordes em discussão a vós próprios e aos outros; e “entretanto” os vossos sonhos perdem altitude, começam a adormecer-se e tornam-se “ilusões” rasteiras, pequenas e tristes, só porque consideramos ou considerais que o vosso agora ainda não chegou; que sois demasiado jovens para vos envolverdes no sonho e construção do amanhã. E assim seguimos procrastinando. E sabem: há muitos jovens a quem isto custa. Ajudemos a que não custe, a que eles se revelem e queiram viver na hora de Deus», pediu o Papa.
 
Esta necessidade dos jovens se assumirem agora e já na construção do futuro da Igreja foi uma constante na homilia do Papa. No final, usou o exemplo de Maria para explica que ela teve a «coragem» de «dizer “sim”» no «agora do Senhor», e terminou com uma pergunta. «quereis viver em concreto o vosso amor?»

 
Texto: Ricardo Perna
Fotos: Jornada Mundial da Juventude
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