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Radiação ionizante: Avaliar riscos e benefícios
16.08.2021
Quando o médico passa uma radiografia, uma mamografia, uma tomografia computorizada (TAC), lembra-se de que isso significa que está exposto a radiação? Há algum perigo em fazer estes exames?
 
Em primeiro lugar, a radiação ionizante «é um tipo de energia libertada pelos átomos na forma de ondas ou partículas eletromagnéticas», define a Organização Mundial de Saúde (OMS). Todos estamos expostos a radiação de fontes naturais diariamente, sendo que ela pode ser encontrada na «vegetação, no solo, na água» e o seu uso tem aplicações benéficas, «como na medicina, indústria, agricultura e investigação». A OMS explica também que existem riscos associados a uma elevada exposição a doses de radiação, como queimaduras ou lesões dos tecidos (vejam-se as consequências de desastres nucleares), mas mesmo doses mais baixas de exposição podem aumentar riscos a longo prazo, como o aumento do risco de desenvolver cancro.

A radiação é, portanto potencialmente nociva, no entanto, a sua utilização na medicina pode ser considerada, desde que sejam tomadas as devidas precauções para minimizar riscos e que se evite a exposição à radiação sempre que possível, reduzindo-a apenas ao necessário e até onde se revele mais benéfico recorrer a ela do que não (estes exames ajudam a detetar doenças graves, por exemplo). A resposta está no equilíbrio e na avaliação do médico, que é quem melhor pode pesar os riscos e os benefícios dos exames, porque estes permitem diagnosticar doenças, algumas delas graves e potencialmente fatais, pelo que a utilização destes recursos pode salvar vidas, facto também assinalado pela OMS (documento «Comunicar os riscos da radiação em imagiologia pediátrica», tradução Coimbra Health School).

Os níveis de radiação dos exames também variam, mas também aqui é o médico que avalia qual o exame necessário, porque diferentes exames detetam diferentes problemas. A radiografia tem níveis mais baixos de radiação relativamente a outros exames. Costuma ser utilizada, por exemplo, para verificar se existe algum osso partido, algum objeto estranho dentro do corpo, para ver o tórax e verificar o estado dos pulmões, entre outros. A mamografia costuma ser pedida, por exemplo, para despistar a existência de cancro. A tomografia computorizada (TAC) tem níveis de radiação mais elevados. É um exame que permite detetar traumatismos cranianos, cancros, AVC, entre outras doenças potencialmente mais graves e que não se conseguem detetar em exames mais simples.

Isto são apenas alguns exemplos gerais das razões por que podem ser pedidos estes exames e naturalmente, reforçamos, só um médico saberá justificar com exatidão o pedido de recurso a qualquer um destes exames. E esses pedidos resultam da avaliação do clínico entre os riscos (sempre potencialmente latentes, mesmo que com doses baixas) e os benefícios da sua utilização (como a descoberta de uma doença mais perigosa do que a exposição à radiação).

Para que o recurso à radiação seja o mais seguro e informado possível, diferentes instituições têm procurado criar diretrizes (como a OMS e o documento já citado acima) e até mesmo regulamentação (emanada das instituições europeias). No caso do nosso país, o Decreto-Lei n.º 108/2018 «estabelece o regime jurídico da proteção radiológica, transpondo a Diretiva 2013/59/Euratom» (Diário da República Eletrónico), e em que, entre outros, e concentrando-nos nos aspetos da utilização em medicina, se estabelece a necessidade de restringir ao mínimo a exposição das pessoas, recorrendo a estes exames quando estritamente necessário, informando as pessoas não só dessa exposição mas dos potenciais riscos que ela apresenta, disponibilizando sempre todos os meios que permitam reduzir os níveis de exposição (por exemplo, existe uma espécie de aventais que, consoante o sítio da radiografia, podem proteger o útero das senhoras) e a utilização de maquinaria que otimize a utilização da radiação e que forneça o máximo de informação sobre a mesma.

Nesta legislação é também dada ênfase às grávidas (tendo em conta o feto e os efeitos sobre ele) e às crianças e à importância da minimização dos riscos, pois estes apresentam-se maiores para estes dois grupos.

A exposição natural à radiação, a profissão, o historial do paciente, o tipo de exames que já realizou e há quanto tempo, são todos elementos necessários para o médico poder avaliar o risco/benefício e garantir, dentro dos riscos, a segurança necessária ao paciente e a proteção da sua saúde, nesse equilíbrio entre a exposição à radiação e o diagnóstico de doenças que podem afetar a saúde mais do que essa exposição.

O diálogo entre pacientes e profissionais de saúde é também uma forma de manter os níveis de informação, consciência e confiança que permitam realizar os exames em segurança.