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Relatório denuncia «genocídio» de mulheres cristãs no mundo
26.01.2022
A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) elaborou um relatório no qual expõe a perseguição que sofrem as mulheres cristãs em várias partes do mundo, principalmente onde o Cristianismo é a religião minoritária.

Foto © Ismael Martínez Sánchez 
Os autores do relatório argumentam mesmo que está a ser cometido «genocídio» contra os cristãos, defendendo que a «quarta classificação de genocídio da Convenção sobre a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio de 1948 é a presença de “medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo”». «Estas provas indicam que os casos de rapto sistémico, violência sexual, casamento forçado e conversão de mulheres cristãs em países como a Nigéria, o Iraque e a Síria podem ser categorizados como atos genocidas por natureza», pode ler-se no relatório a que a FAMÍLIA CRISTÃ teve acesso.
 
O relatório procura conhecer a realidade específica das mulheres nos países onde o Cristianismo é minoria e é perseguido. Não é possível, por dificuldades no acesso aos dados e pela vergonha das testemunhas, fazer uma análise quantitativa precisa da realidade, mas o relatório encontrou relatos em vários países que indicam as dificuldades a que estão sujeitas estas mulheres.
 
No prefácio do relatório, Maira Shahbaz, uma jovem do Paquistão, conta como foi «torturada e violada». «Fui obrigada a assinar um certificado para demonstrar que me tinha convertido e que tinha casado com o meu raptor. Foi-me dito que, se recusasse, a minha família seria morta. Quando a minha mãe foi à polícia para me trazer de volta, o assunto foi levado ao Supremo Tribunal de Lahore», conta esta jovem, que acrescenta que os «membros do partido islâmico de linha dura Tehreek-e-Labbaik do Paquistão pediram que eu fosse morta». «Toda a minha família – a minha mãe, as minhas irmãs, o meu irmão e eu – está escondida, fechada num compartimento. Os suspeitos foram vistos na zona a perguntar por nós», conta, questionando quem é que poderá ajudá-los.

Foto © ACN 
O relatório enumera vários casos destes, e denuncia as estratégias que existem em países como a Nigéria, onde «95% das mulheres e raparigas detidas por extremistas islâmicos são cristãs» e já foi possível ouvir dos responsáveis do Boko Haram, um grupo terrorista que opera naquele país, «vamos fazer novos esforços, através do rapto de mulheres, para que os cristãos tenham medo do poder do Islamismo».
 
No Paquistão, a Fundação AIS reporta que cerca de 70% das mulheres e raparigas convertidas e casadas à força serão cristãs, e denuncia que, no Egito, não haja «reconhecimento oficial por parte das autoridades» para este problema.
 
Este problema é também uma realidade em Moçambique, na província de Cabo Delgado, que tem sido assolada por ataques terroristas nos últimos anos. Ali, denuncia o relatório, «as raparigas cristãs raptadas são pressionadas para se converterem ao Islamismo e informadas de que, se recusarem, serão usadas como escravas».
 
O relatório afirma que os rebeldes raptaram mais de 1.000 mulheres e raparigas, e forçaram muitas delas a manter relações sexuais com os combatentes.
 
Michele Clark, uma das responsáveis pelo relatório, afirma, em entrevista à Fundação AIS, que «a violência contra as mulheres cristãs é uma arma que está a ser utilizada para travar uma guerra contra as minorias religiosas», e justifica com a «estrutura da lei islâmica». «Se uma mulher cristã é forçada a converter-se ou é casada à força com um muçulmano, é impossível para ela regressar à sua fé cristã – mesmo que se possa libertar ou seja libertada do casamento. Se a mulher tiver filhos, esses filhos permanecerão sempre muçulmanos», acrescenta.
 
A co-autora do Relatório da Fundação AIS diz que, de alguma forma, os agressores acabam «sempre por afetar não só a mulher raptada, mas, caso ela venha a ser mãe, atingem igualmente os seus próprios filhos».
 
O relatório «Ouçam os gritos delas» está disponível para venda na página da Fundação AIS.

 
Texto: Ricardo Perna
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