Precisa de ajuda?
Faça aqui a sua pesquisa
Religiões reafirmam oposição à eutanásia
12.02.2020
Foi em 16 de maio de 2018 que católicos, judeus, muçulmanos, hindus, budistas, evangélicos e outros, oito confissões religiosas no total, subscreveram uma declaração onde se opunham à legalização da eutanásia. Quase dois anos depois, os signatários da declaração «Cuidar até ao fim com compaixão», do Grupo de Trabalho inter-Religioso - Religiões Saúde «reiteram a sua oposição à legalização da eutanásia e suicídio assistido». A conferência de imprensa acontece no final de uma reunião sobre o agendmento parlamentar do debate e da votação da eutanásia e suicídio assistido, no dia 20.


Em 2018, a declaração foi assinada por representantes da Aliança Evangélica Portuguesa, Comunidade Hindu Portuguesa, Comunidade Islâmica de Lisboa, Comunidade Israelita de Lisboa, Igreja Católica, Patriarcado Ecuménico de Constantinopla, União Budista Portuguesa e União Portuguesa dos Adventistas do Sétimo Dia. No documento pode ler-se que «nós, comunidades religiosas presentes em Portugal, acreditamos que a vida humana é inviolável até à morte natural e perfilhamos um modelo compassivo de sociedade e, por estas razões, em nome da Humanidade e do futuro da comunidade humana, causa da religião, nos sentimos chamados a intervir no presente debate sobre a morte assistida, manifestando a nossa oposição à sua legalização em qualquer das suas formas, seja o suicídio assistido, seja a eutanásia».
 
Dignidade da vida comum a todos
Em «Cuidar até ao fim com compaixão» acentuam-se três pontos: a dignidade daquele que sofre, por uma sociedade misericordiosa e compassiva e os Cuidados Paliativos, uma exigência inadiável.
Estas oito confissões religiosas defendem que «a vida não só não perde dignidade quando se aproxima do seu termo, como a particular vulnerabilidade de que se reveste nesta etapa é, antes, um título de especial dignidade que pede proximidade e cuidado». Agradecendo o apoio dos médicos pelo acompanhamento aos doentes em sofrimento, entendem que «a religião oferece uma possibilidade de sentido a quem acredita, mas sabemos também, pela experiência do acompanhamento de tantos que não são religiosos, que não depende de o ser a possibilidade de encontrar sentido para o próprio sofrimento».
Os signatários defendem também que «o que nos é pedido não é que desistamos daqueles que vivem o período terminal da vida, oferecendo-lhes a possibilidade legal da opção pela morte, à qual pode conduzir a experiência do sofrimento sem cuidados adequados». «Uma sociedade que abandona, que se desumaniza, que se torna indiferente» faz que se deseje a morte. O desafio nestes casos é «que nos comprometamos mais profundamente com os que vivem esta etapa, assumindo a exigência de lhes oferecer a possibilidade de uma morte humanamente acompanhada».
No terceiro ponto, estas oito confissões religiosas, salientam o papel essencial dos cuidados paliativos. «A verdadeira compaixão não é insistir em tratamentos fúteis, na tentativa de prolongar a vida, mas ajudar a pessoa a viver o mais humanamente possível a própria morte, respeitando a naturalidade desta. Os cuidados paliativos fazem-no, valorizando a pessoa até ao seu fim natural, aliviando o seu sofrimento e combatendo a solidão pela presença da família e de outros que lhe sejam significativos.» Por isso, exigem que estes cuidados se estendam «a todos o acesso aos cuidados paliativos» e assumem o compromisso de participar nisso.
 
Texto: Cláudia Sebastião
 
 
Continuar a ler