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Relógio da Família promove “encontro de almas” no casal
21.05.2019
Olímpia e Mário Ferreira faziam parte do grupo que preparava os Encontros para Noivos, em Braga. Estes jovens casais pediam mais: «Que fossem encontradas fórmulas que permitissem continuar o encontro entre eles.» A sua própria experiência dizia-lhes que «muito do tempo da família é passado a criar filhos (poucos), a subir na carreira, a prevenir o futuro, a dividir as tarefas domésticas, mas sem um verdadeiro “encontro de almas”. Sem se construírem liberdades. Viver em família tornava-se e torna-se muitas vezes num fardo pesado. Percebíamos que as pessoas se amavam, embora sem se preocuparem muito sobre a maneira como amavam. Que não tinham tempo para uma vida interior vivificante, nem mesmo sentiam necessidade disso. Também o matrimónio se ia desenrolando sem que fosse consubstanciado por um projeto de família».

Grupo do Relógio da Família 2017, em Braga.

Estas constatações foram semeando inquietude, «uma das formas que Deus tem para nos dizer que algo não está bem e que é preciso encontrar saída». Ouviram falar do Relógio da Família que se fazia em Espanha – nasceu por iniciativa da CVX–E (Comunidade de Vida Cristã–Espanha, associação pública de fiéis de espiritualidade inaciana), pesquisaram pela internet e foram, com outros dois casais, a Madrid «fazer a experiência em versão intensiva». Voltaram a Portugal com a bagagem cheia: trouxeram materiais e vontade de avançar. «Todos os documentos foram por nós trabalhados e adaptados à realidade portuguesa. Contactámos amigos e seduzimo-los a experimentar este projeto fantástico», contam. Isso foi há cinco anos.

Olímpia e Mário Ferreira explicam que o Relógio da Família «é uma ferramenta destinada a casais e baseia-se fundamentalmente em promover o encontro entre cada um deles, centrado inicialmente em trabalho individual e depois na partilha em casal». Os encontros ocorrem em dois fins de semana, de presença obrigatória. Até agora, têm sido todos em Braga, na Casa da Torre. Mas este ano começam também na região de Lisboa, Rodízio (Sintra) e Palmela, em dezembro e em janeiro.

A família de Rita e Nuno Archer.Rita e Nuno Archer estão no secretariado da edição de Lisboa. Em 2016, faziam dez anos de casados e Rita andava à procura de «algum retiro ou atividade espiritual que pudéssemos fazer em casal». Encontraram o Relógio da Família, em Braga, e inscreveram-se. O balanço foi muito positivo. O casal diz que «é uma atividade simultaneamente muito profunda e muito prática» e explicam porquê: «o trabalho dos temas, primeiro individualmente e depois em casal, permite recolher a visão de cada membro do casal e, dessa forma, ganhar em profundidade»; «os textos de suporte são muito bons e bem adaptados à nossa realidade»; e «foi também interessante a diversidade do grupo com casais de norte a sul do país, desde recém-casados a avós». Rita e Nuno salientam que os textos de apoio «ajudam a “desatar” nós e a encontrar harmonia entre a nossa realidade e as expectativas e desejos de cada um – pés no chão e olhos no alto».

A experiência do casal e em casal foi tão positiva e importante que decidiram reunir um grupo que pudesse avançar com o projeto de Lisboa. Depois de uma edição-piloto, foram formadas duas equipas que assegurarão as duas primeiras edições na região de Lisboa. Ambas esgotaram. «Foi incrível ver que um mês antes do prazo previsto já tínhamos as duas edições totalmente preenchidas, com 23 casais em cada. Acabou por ser uma espécie de confirmação da importância de propostas como esta para casais que querem continuar a crescer.»

Rita e Nuno Archer dizem que o projeto «não é uma varinha mágica que faz tudo cor-de-rosa». No caso deles, ajudou-os «a rever a nossa história, a nossa forma de decidir em família, de gerir os momentos difíceis e os desacordos, e, sobretudo, a rever o nosso projeto de família». Contam que, no namoro, conversavam sobre os desejos e sonhos para a família. Mas isso foi deixando de acontecer. «Com o passar do tempo, o nascimento dos filhos, as mudanças de trabalho e a logística, vamos começando a gerir o dia a dia. No nosso caso, percebemos que em algumas áreas já não remávamos na mesma direção», lembram. Olhar e rever o seu projeto de família fê-los «pensar e falar de coisas importantes que estavam subentendidas e outras (alguns ideais e objetivos) que tinham sido ultrapassadas pela realidade».

Para já, o Relógio da Família tem edições em Braga e em Lisboa. Em 2019, em Braga será nos fins de semana de 19 e 20 de janeiro e 16 e 17 de março.
 
Texto: Cláudia Sebastião
Fotos: D. R.
 
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