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Santuário de Fátima vai doar Imagem à catedral de Lviv
12.05.2022
O Santuário de Fátima vai doar uma Imagem de Nossa Senhora de Fátima para ficar permanentemente na catedral de Lviv. O reitor do Santuário, Pe. Carlos Cabecinhas, explicou que o arcebispo Ihor Vozniak tinha pedido que a Imagem Peregrina que está no país pudesse eventualmente ser cedida de forma permanente à catedral, mas o Santuário preferiu, pelo «princípio de que as Imagens Peregrinas regressam sempre ao Santuário», oferecer uma réplica dessa imagem, que será abençoada amanhã, no final da celebração conclusiva da Peregrinação Aniversária de Maio.
 
Aliás, referiu o Pe. Cabecinhas, a «oração pela paz na Ucrânia acompanhará esta peregrinação», frisou.

 
Questionado pelos jornalistas sobre a relação do segundo segredo de Fátima, que falava da consagração da Rússia, com a situação atual de guerra na Ucrânia, o Pe. Cabecinhas esclareceu que as referências à Rússia na Mensagem de Fátima não se referem a «geografia ou povo, mas sim a uma ideologia que pretende excluir de forma radical Deus do que é o horizonte das pessoas». «Na Ucrânia não temos uma guerra religiosa ou um regime que procure afastar Deus das pessoas, a situação é outra. Os tempos são outros, e o horizonte mudou radicalmente. Isto é uma deriva imperialista de um país que invade outro país violando as regras do direito internacional», sustentou o sacerdote.
 
Por isso, continuou o Pe. Cabecinhas, «quando o Papa propõe a consagração da Rússia e da Ucrânia, não apenas da Rússia, falamos da realidade de necessidade constante de oração pela Paz, uma prece insistente e intensa pela paz no mundo». «Temos de nos precaver contra uma visão ideológica da Mensagem de Fátima como se estivéssemos em 1917 ou 18 com um contexto que não é o nosso. Não estamos a pedir a conversão da Rússia, mas estamos a pedir a paz», reafirmou.
 
D. José Ornelas, bispo de Leiria-Fátima, defendeu sobre este assunto que «a guerra é o pior que a humanidade pode fazer».  Nesse sentido, «Fátima é um lugar de beleza e tragicidade», uma «casa onde Maria vem ao encontro de três crianças que não sabiam ler nem escrever, num contexto de pandemia e I Guerra Mundial, pelo que isto que se vive hoje não é novo para Fátima».
 
Sobre o Santuário em si, o bispo de Leiria-Fátima, que está pela primeira vez numa peregrinação aniversária na condição de bispo diocesano de Leiria-Fátima, referiu que Fátima é «a meta de um peregrinar e uma peregrinação que se estende para o mundo», e tem um «papel importante dentro da Igreja, na construção do caminho sinodal que estamos a fazer aqui». «Que Fátima seja lugar de viver a sinodalidade com todos», pediu.

D. José Ornelas, bispo de Leiria-Fátima, que participa pela primeira vez nessa condição 
Neste seguimento, questionado sobre o trabalho de escuta sinodal que tem sido feito pelo Santuário nesta fase diocesana, o Pe. Cabecinhas explicou que a «reflexão desenvolve-se internamente», e que não consegue ouvir os peregrinos, que são «passantes», e devem ser ouvidos «dentro das suas comunidades», pelo que o seu «humilde contributo» que será enviado à diocese de Leiria-Fátima será fruto da reflexão que fizeram com os seus funcionários e colaboradores.
 
Sobre as celebrações destes dias, feitas sem restrições devidas à pandemia, o Pe. Cabecinhas expressou a sua satisfação, mas deixou claro que a «queda das restrições não significa menor responsabilidade». «Continuamos a sugerir uso de máscara nos locais de maior concentração de pessoas», avisou.
 
Sobre os grupos presentes, o reitor do Santuário de Fátima afirmou que «não esperava presença tão significativa de peregrinos a pé, mas estávamos enganados», e explicou que este ano regressam também os doentes às celebrações e a peregrinação das Crianças, «a segunda mais importante ao longo do ano, que junta mais gente que a peregrinação de Outubro».

O Pe. Carlos Cabecinhas, reitor do Santuário de Fátima
Fizeram-se anunciar nos serviços do Santuário de Fátima, até às 15h00, de 119 grupos: 62 grupos de Portugal, 4 da Alemanha, 2 da Áustria, 4 do Brasil, 2 de Cabo Verde, 1 do Canadá, 1 da Croácia, 1 de El Salvador, 4 de Espanha, 6 dos Estados Unidos, 1 das Filipinas, 4 de França, 2 de Gibraltar, 2 da Irlanda, 12 de Itália, 1 da Letónia, 1 de Malta, 2 do México, 2 da Polónia, 1 da República Dominicana, 1 da Suíça e 1 do Vietname. Apesar do núemro elevado, fica ainda abaixo de 2019, quando se fizeram anunciar quase 400 grupos de peregrinos.
 
A peregrinação será presidida por D. Edgar Peña Parra, substituto da Secretaria de Estado da Santa Sé, que está em Portugal para uma visita de três dias, mas que não esteve presente na conferência de imprensa, conforme é habitual que estejam todos os que presidem a estas peregrinações.

 
Texto e fotos: Ricardo Perna
 
 
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