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«São Bartolomeu poderia ser patrono da renovação eclesial»
19.07.2019
D. Jorge Ortiga celebrou, nesta quinta-feira, dia 18 de julho, 20 anos como arcebispo de Braga. Na Missa que assinalou a data, e em plena memória litúrgica de Bartolomeu dos Mártires, «primeira vez que celebramos como santo», o atual arcebispo de Braga quis lembrar o papel de Bartolomeu na renovação da Igreja do século XVI.



«O Papa diz que se impõe hoje uma renovação eclesial. É uma reforma, uma renovação eclesial inadiável. São Bartolomeu poderia ser o patrono desta renovação eclesial que sabemos ser inadiável.» E em que se deve basear esta renovação? Recuperando as palavras do seu antecessor São Bartolomeu, D. Jorge Ortiga citou «a substância do nosso ofício está em pôr bons médicos nos hospitais de Deus que são as paróquias». O arcebispo de Braga salientou que as paróquias têm de se renovar para ser estes «hospitais de Deus onde reina a alegria de todas as pessoas» e defendeu que os «bons médicos» de que falava São Bartolomeu não são apenas sacerdotes, mas todos os membros da comunidade.

Antes da Missa aconteceu a apresentação do livro D. Jorge Ortiga – Semeador da alegria e da unidade. Na ocasião, o arcebispo primaz de Braga mostrou-se agradecido pela homenagem e muito agradado pelo título: «Alegria e comunhão são duas palavras que me dizem muito. A minha missão é esta: semear, semear a Palavra de Deus, a alegria da vida». Mas considera que «é um título incompleto: gostaria que me desse mais alguns anos para continuar a compor este hino à alegria e à unidade na vida para mim e para os outros». Deixa o desafio: «É um título que entusiasma, que me entusiasma e que gostaria que fosse uma proposta: ser cada um de nós também este semeador, semeador de alegria. Vale a pena testemunhar a alegria, muitos sorrisos e empatia em vez de tantas outras coisas e vale a pena envolver-se nesta aventura da unidade que é uma aventura divina e não pura e simplesmente humana.»



No dia da memória litúrgica de São Bartolomeu dos Mártires, antigo arcebispo de braga, D. Jorge lembrou palavras do seu antecessor. «“São precisas mãos largas e língua curta.” Na causa da alegria e da unidade tenho de ser mãos largas para construir e não apenas língua. Será um desafio para todos.»

O livro tem uma entrevista de vida, testemunhos pessoais de todos os antigos bispos auxiliares de Braga vivos e do atual e fotografias da vida de D. Jorge Ortiga. O autor Ricardo Perna, jornalista da FAMÍLIA CRISTÃ, revelou o gosto em conhecer melhor D. Jorge Ortiga e salientou as «coincidências divinas que marcaram a vida» do arcebispo de Braga. «Também é nossa função de jornalistas contar histórias bonitas e belas, e a história de vida de D. Jorge é isso mesmo. A sua vida é uma mão cheia de coincidências divinas aproveitadas de forma sublime pelo D. Jorge: a coincidência de a sua formação coincidir com o fim do Concílio Vaticano II foi uma pedra basilar que lhe marcou a vida e marcou o caminho que a arquidiocese de Braga tem feito nestes 20 anos sob a sua direção. O seu desejo de unidade é tão grande que consegue ao mesmo tempo confrontar conservadores com a introdução de violas na animação litúrgica e progressistas com a defesa da reintrodução do Rito Bracarense por ser necessário nunca esquecer a Tradição.»



Coube a D. Nuno Almeida, atual bispo auxiliar de Braga, a apresentação da obra. O prelado destacou «fios de ouro que percorrem a obra toda»: «o fio da alegria, do fio da capacidade de suscitar relacionamentos de amizade e de comunhão, o fio da paixão contagiante pelo carisma da unidade de Chiara Lubich [fundadora do Movimento dos Focolares] traduzido em empenho missionário por uma Igreja comunhão e por um mundo unido». D. Nuno Almeida afirmou que «permanece no rosto do D. Jorge a alegria da primeira hora». O bispo auxiliar defende que no livro e na vida «D. Jorge desafia-nos incansavelmente a um modo novo de fazer pastoral, muito mais feliz, mais pastoral. O senhor D. Jorge sabe apontar-nos o caminho da missão».

O cónego João Aguiar Campos, prefaciador, salientou que o livro tem «matéria muito densa de reflexão, de perspectivas de ontem, de hoje e de amanhã».
 
Reportagem: Cláudia Sebastião
Fotos: António Miguel Fonseca e Ricardo Perna
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