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Saúde e felicidade conjugadas no verbo ser
27.12.2021
Não há felicidade sem saúde e, de acordo com diferentes estudos (um dos quais analisou outros 160), a saúde é muito beneficiada pela felicidade. Pessoas felizes têm mais saúde e vivem mais. Já que estamos no fim do ano, fechamos com uma perspetiva positiva e posicionamo-nos da mesma maneira para o que aí vem. Um 2022 cheio de saúde!
 
Ter uma ideia daquilo que nos faz felizes (e mais saudáveis) é uma ferramenta útil e curiosa, ainda que seja importante não nos esquecermos de a ver dessa maneira, como uma ferramenta e não como uma inevitabilidade. À semelhança do que apontámos algumas vezes para a saúde, estarmos conscientes das nossas circunstâncias e daquilo que sabemos fazer-nos bem ou mal é outro fator a ter em conta para a nossa saúde (física e mental).

Nesta rubrica já abordámos direta e indiretamente a importância do sono para a saúde, mas o mesmo também tem relação com o bem-estar. Um estudo de Jessica O’Loughlin, da Universidade de Exeter, concluiu que as pessoas que respeitam o seu relógio biológico em termos de sono têm menos probabilidade de sofrer de depressão do que as que o contrariam. Por outro lado, as pessoas que acordam cedo são as que estão mais alinhadas com o mesmo, uma vez que a sociedade está organizada dessa forma. Assim, pessoas que ficam acordadas até tarde continuam a ter de funcionar em sociedade pela manhã, o que se pode traduzir num desalinhamento desse relógio.

O ser humano é um ser relacional e de afetos. Um estudo de Harvard, o mais longo sobre felicidade, indica que quem tem amigos e uma boa rede e qualidade de relações é mais feliz, mais saudável e, inclusivamente, suporta melhor a dor.
Dúvidas houvesse das vantagens da felicidade na saúde e vice-versa, saiba que a felicidade é contagiosa, um pouco à semelhança daquelas gargalhadas de que nem sabemos o motivo e que até aparecem em momentos menos aconselháveis, mas que não conseguimos conter. Dois cientistas norte-americanos, Nicholas Christakis, da Faculdade de Medicina de Harvard, e James Fowler, da Universidade da Califórnia, chegaram à conclusão que alguém que viva a menos de 1,5 km de um amigo feliz vê aumentar em 25% as possibilidades de se sentir feliz também. No caso dos cônjuges, têm 8% de hipóteses mais de se sentirem felizes, e irmãos que vivam perto 14%. Para os vizinhos, as possibilidades de ficarem felizes sobem 34%.
Um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) concluiu, já em 2013, que a educação é um fator de relevo não só na saúde mas também na felicidade. Os dados indicaram que, em média, em 15 dos países da organização com dados disponíveis, um homem com o ensino superior poderia esperar viver mais oito anos do que outro sem o ensino secundário concluído (nas mulheres essa percentagem era menor). Por outro lado, adultos com níveis de educação mais elevados reportaram maiores níveis de satisfação pessoal do que aqueles com níveis de educação mais baixos.
Aquilo que fazemos, ou não, também influencia os nossos níveis de felicidade e bem-estar e sermos boas pessoas também pode ajudar-nos a ser mais felizes. Um estudo da Universidade da Colúmbia Britânica concluiu que indivíduos altamente ansiosos apontavam um aumento no bom humor e um decréscimo na ansiedade e na “fuga” à sociedade se protagonizassem seis atos de bondade numa semana. Stephen Post, investigador de um outro estudo (há vários relacionados com a bondade), concluiu também que atos de bondade ou generosidade estão relacionados com melhores níveis de saúde e uma maior longevidade (em termos muito gerais, ser bondoso liberta uma série de substâncias no corpo que reduzem a ansiedade e são boas para o coração, entre outros aspectos).

O exercício físico é reconhecido como fator importante na promoção da saúde e prevenção de doenças, mas também o é na sensação de bem-estar e felicidade (também libertamos substâncias no corpo ao praticar exercício). Um estudo realizado por investigadores das universidades de Yale e Oxford indica que fazer exercício físico é mais importante para uma boa saúde mental e para nos deixar felizes do que ter dinheiro na conta. Os cientistas descobriram que enquanto aqueles que se exercitam regularmente tendem a sentir-se mal cerca de 35 dias por ano, aqueles que não o fazem têm de lidar com mais 18 desses dias. Mas atenção ao equilíbrio. O excesso de exercício (mais do que três a cinco vezes por semana, entre 30 e 60 minutos) também revelou o efeito contrário em participantes que faziam exercício mais de três horas por dia.

Equilíbrio, prevenção e variedade são alguns dos aspectos a reter no que diz respeito à saúde. Podemos também acrescentar-lhe felicidade. A felicidade não é um estado permanente e na verdade não é suposto que o seja, ou não seria felicidade. Mas podemos encará-la como uma meta e, já agora, como uma meta de saúde. Como na saúde, mais vale prevenir, e talvez não seja despropositado pensar que mais vale ser feliz, ou tentar! Se a variedade também conta, então, não esquecer de, pelo menos, conhecer várias coisas que nos façam felizes e praticá-las. No fim, esperamos chegar ao equilíbrio, conjugando saúde e felicidade.